Se Deus Existe, por que há Fome na África?

 


Se Deus existe, por que há fome na África?

Essa pergunta, apesar de comum, parte de uma visão simplista do mundo e da fé. Ela presume que, se Deus existe — e se Ele é bom e poderoso —, então ninguém deveria sofrer, e a fome deveria ser automaticamente erradicada. Mas esse pensamento ignora aspectos fundamentais tanto da realidade humana quanto da proposta bíblica sobre o papel de Deus no mundo atual.

A fome não existe por falta de dinheiro, tecnologia ou alimentos. Nosso planeta tem recursos mais que suficientes para alimentar toda a população mundial diversas vezes. O que falta não é comida — é compaixão, justiça e partilha. Falta amor ao próximo. Falta o que a igreja prega há séculos: a prática do cuidado, da caridade e da generosidade. Se os valores cristãos fossem amplamente vividos e aplicados, a fome poderia ser drasticamente reduzida. Desde o Antigo Testamento, o povo de Deus é chamado a doar, cuidar dos pobres, acolher os necessitados e dividir o pão.

Não foi Deus quem esqueceu os pobres — fomos nós. Deus criou um mundo perfeito, mas o ser humano, ao rejeitar a vontade divina e seguir seus próprios caminhos, colheu as consequências dessa escolha. Hoje, vemos um mundo marcado por egoísmo, injustiça e desequilíbrio, não porque Deus deseja isso, mas porque Ele permitiu ao homem o livre-arbítrio. Deus não força ninguém a fazer o bem, mas chama todos ao arrependimento e à mudança de vida. Ainda assim, Ele age — muitas vezes por meio de pessoas que estendem as mãos, que levam alimento, esperança e socorro aos necessitados.

Mas se Deus pode fazer milagres, por que não faz chover comida sobre a África? Porque, se fizesse isso constantemente, quebraria o ciclo natural de um mundo que foi afetado pelo pecado. Isso seria o céu — não o exílio humano. Este mundo, segundo as Escrituras, não é o destino final da humanidade, mas um lugar temporário, onde vivemos as consequências de nossas próprias decisões. Nosso planeta não sofre por escassez, mas por má distribuição e ganância. Há mais do que suficiente para todos, e mesmo assim vemos pessoas passando fome enquanto toneladas de alimentos e produtos são descartados semanalmente.

Deus não está ausente. Ele irá pôr fim à fome, à dor e ao sofrimento. O fato de passarmos por aflições hoje não significa que Ele seja indiferente. Pelo contrário: Deus já tomou a iniciativa suprema ao entregar seu próprio Filho para que a fome, o choro e a dor não tenham a palavra final. Cristo morreu, ressuscitou e prometeu restaurar todas as coisas. O que vemos hoje é uma fase provisória — uma história que caminha para a justiça perfeita de Deus.

O foco de Deus não está nas dores momentâneas deste mundo, mas em nos despertar espiritualmente. Seu desejo é que o ser humano perceba o fracasso de seus próprios caminhos e volte para Ele. Deus não interfere constantemente no livre-arbítrio humano, justamente porque respeita a liberdade que nos deu. Ele nos mostra, com amor e paciência, que este mundo sem Ele se transforma em um lugar cruel, onde até mesmo o próprio Cristo foi torturado e morto — e Deus não o impediu, pois sua justiça e seu propósito são eternos.

"Não temam os que matam o corpo, mas não podem matar a alma; pelo contrário, temam aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo."
(Mateus 10:28 - NAA)

Este mundo é o resultado da liberdade humana, um espelho das escolhas que fizemos coletivamente. O problema da fome não é um problema divino, mas humano. Não está na produção de alimento, mas na má distribuição e na sede de poder. Quando o ser humano decidiu tomar suas próprias decisões sem Deus, colheu a dor que vemos hoje — e é essa realidade que Deus, com paciência, tolera por um tempo, desejando que todos se arrependam antes do juízo final.

O Salmo 115 diz que ao adorar ídolos, o ser humano se torna cego, surdo e imóvel — exatamente como os ídolos que cultua. Não é coincidência que os evangelhos mostrem Jesus curando os cegos, os surdos e os paralíticos. Quando João Batista quis saber se Jesus era mesmo o Messias, Cristo respondeu mostrando esses sinais: a cura daqueles que estavam em trevas. Mais do que milagres físicos, essas curas apontam para a verdadeira missão de Jesus: restaurar nossa visão espiritual, curar nossa surdez interior e nos libertar da escravidão aos falsos deuses deste mundo.

A Palavra de Deus tem poder para curar não apenas o corpo, mas a alma. Ela denuncia o pecado que causa sofrimento e aponta para a esperança que ultrapassa essa vida. O objetivo final de Deus não é simplesmente resolver a fome física, mas nos livrar de algo muito mais profundo: a fome espiritual que nos separa Dele.

***Sugiro que leiam também meu texto chamado "Por que Deus não nos criou prontos?" para uma profunda explicação sobre o fato de que Deus já resolveu a fome e já puniu a ganância, entretanto, nós ainda não conseguimos visualizar ou vivenciar isso. 


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