Não Entende a Graça?


 Entenda a graça 


Muitas vezes ouvimos falar sobre a Graça, mas raramente compreendemos a sua profundidade e o peso da nossa incapacidade. A verdade é simples, porém dura, pois, se Deus te desse mil chances, você falharia em todas elas, e é exatamente por isso que Ele te deu Jesus. Para entender isso, precisamos voltar a Adão, que era aquele que representava a aliança original. Naquele momento, a humanidade era Adão, só existia ele, e Deus fez um pacto do qual ele deveria obedecer, caso contrário, toda a raça humana, que é sua descendência, sofreria com o pecado e estaria afastada de Deus. Infelizmente, Adão descumpriu o pacto e Deus, como um juiz justo, puniu Adão e, por consequência, tudo o que ele produziu em seguida, ou seja, toda a sua semente. É fundamental entender que pactos são feitos com pessoas, não com grupos, eles têm efeitos em coletividades, mas dependem inteiramente da ação de um representante.

Para ilustrar melhor, pense em um pacto de paz entre nações, onde se define que nenhuma fronteira será atacada para que, em troca, ninguém seja invadido. Espera-se que ambas as partes cumpram o acordo, mas basta que uma das fronteiras seja atacada por um só soldado, um representante do exército, para que o pacto esteja quebrado, afinal, era responsabilidade mútua se guiarem para a paz. Da mesma forma foi com Adão, o pacto era com ele, e através dele todos seriam abençoados, mas sua desobediência trouxe problemas para todos nós. Muitas vezes, em um time, as pessoas pressionam o líder para que ninguém falhe, mas no caso de Adão, ambos concordaram em pecar. Nós, os filhos de Adão, não tivemos escolha, pois só passamos a existir porque ele quis se reproduzir, sendo assim, todos nós dependíamos de Adão não só nas escolhas sobre o pecado, mas para o próprio nascimento.

Cristo, por outro lado, chamou a responsabilidade para si e estabeleceu um novo pacto com Deus, representando a raça humana da mesma forma que Adão havia feito. Se Ele se mantivesse fiel e assumisse a responsabilidade pelo que a humanidade fez, Deus tomaria aquele povo como Seu, pois essas pessoas estariam sob a representação de Cristo. Esse papel de representante é semelhante ao de um deputado eleito, onde muitas pessoas, com humores e condições distintas, não possuem a capacidade de responder por si mesmas perante uma autoridade maior e, por isso, elegem alguém para lidar com as consequências de suas ações. Mais profundo do que isso é a imagem do pai perante a família, onde o pai representa o lar diante de um mundo externo hostil, absorvendo as dores para que os filhos não as sofram, já que eles não estão aptos para carregar esse peso. Se o pai cumpre suas responsabilidades e se mantém unido a eles, todos usufruem da segurança e da boa condição social, pois ele age como um sacerdote do lar.

Quando sabemos que alguém está assumindo a nossa culpa, nasce em nós o desejo natural de não deixar que essa pessoa carregue sozinha os efeitos dos nossos erros. Não queremos que um inocente, que se esforça pela integridade do grupo, veja seu time ser considerado fraco devido às nossas falhas, por isso, ao recebermos um representante, sentimos a obrigação de não fazer besteiras e nos esforçamos pelo sucesso do corpo. A Lei de Deus serviu justamente para demonstrar o nosso pecado e mostrar que existe um padrão de santidade que somos incapazes de seguir sozinhos. Só percebemos o quanto somos maus quando tentamos, com todas as nossas forças, ser bons, e a Lei nos mostra que não merecemos a salvação. Se achássemos que éramos merecedores, não sentiríamos que devíamos algo à Graça de Deus. Entendemos que devemos tudo a Ele quando percebemos que nossa existência precisa desesperadamente desse auxílio, após o horror do pecado ter sido demonstrado.

Antigamente, quando éramos deixados à nossa própria sorte, errávamos livremente porque sabíamos que não tínhamos força nem natureza para alcançar a Deus. Mas com Cristo, reconhecemos que estamos ligados a uma equipe da qual Ele assume a liderança e possibilita a restauração. Quando você paga por algo com seu próprio esforço, você tende a continuar vivendo da mesma forma, pois sente que sua força foi suficiente para quitar a dívida. Mas quando alguém morre para pagar algo que deveria ter sido feito por você, você não deseja que aquilo seja em vão. Se você realmente ama a Jesus, não deseja desfazer aquilo que Ele morreu para conquistar. Cristo fez o pacto com o Pai, prometendo ser fiel até a morte para que esse time tivesse resultados bons e se convertesse. Ele nos representa e restaurou nossa relação com o Senhor. Por isso, a acusação do mal tenta sempre nos fazer olhar para os nossos pecados em vez de olharmos para o Salvador. Quem olha só para o erro diz que não pode ser mudado, mas a Graça nos chama para identificar o pecado e nos alegrar, sabendo que temos um Redentor que pagou absolutamente tudo.

"Quando você perceber que como pecador você não tem direito a nada, se tornará grato por tudo." — Josemar Bessa.


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