“A Igreja é intolerante”
Uma acusação muito comum dirigida à Igreja é a de que ela seria intolerante. Muitos repetem isso com convicção, como se a posição moral da Igreja fosse automaticamente sinônimo de ódio ou rejeição No entanto, quando observamos a realidade concreta, percebemos que essa crítica revela uma contradição.
A Igreja Católica é radicalmente contra o aborto, e essa posição é clara e pública. Ainda assim, quantas mulheres que abortaram são acolhidas dentro da própria Igreja? Quantas encontram ali escuta, aconselhamento, acompanhamento espiritual e a possibilidade real de reconstruir a própria vida? A posição moral permanece firme, mas o acolhimento nunca deixa de existir.
A Igreja também é contra a promiscuidade. Mesmo assim, cerca de 75% das pessoas portadoras de HIV no mundo recebem algum tipo de cuidado, assistência ou suporte ligado a instituições da Igreja. Hospitais, casas de apoio, missões e organizações católicas continuam, silenciosamente, cuidando de quem muitas vezes foi abandonado por quase todos.
A Igreja é contra a destruição da família, mas é justamente nas portas de inúmeras igrejas, conventos e mosteiros que bebês são entregues para serem cuidados. Muitas vezes são crianças fruto exatamente das relações que a própria Igreja moralmente condena. Ainda assim, quando a criança precisa de cuidado, abrigo e proteção, são essas mesmas instituições que se tornam refúgio.
A Igreja também se posiciona contra o uso e a legalização das drogas. Porém, é em inúmeros centros de reabilitação espalhados pelo mundo, muitos deles ligados à Igreja, que dependentes químicos encontram acolhimento, tratamento e uma chance real de recomeço. Em vez de simplesmente condenar a pessoa, a Igreja estende a mão para resgatá-la.
A Igreja é contra o vilipêndio da dignidade humana, e por isso está presente em presídios ao redor do mundo, ouvindo, trabalhando, rezando e acompanhando justamente aqueles que atentaram contra a vida humana. Ali estão capelães, missionários, voluntários e religiosos dedicando tempo e esforço para oferecer esperança a quem muitos considerariam irrecuperável.
Diante disso, surge uma pergunta inevitável. Se a Igreja fosse realmente intolerante, por que ela estaria justamente nos lugares onde a dor humana é maior? Por que estaria acolhendo exatamente aqueles que, segundo a própria moral cristã, cometeram erros graves?
A realidade é que muitas pessoas confundem duas coisas completamente diferentes. Discordar moralmente de um comportamento não significa odiar a pessoa que o pratica. A Igreja distingue pecado de pecador, erro de dignidade humana. A posição moral permanece firme, mas o cuidado com o ser humano nunca é abandonado.
Como disse Dom Luís Henrique em uma frase que sintetiza bem essa tensão: “Vocês não querem nossa tolerância, pois isso sempre tiveram. Vocês querem o nosso silêncio, e isso jamais terão.”
A Igreja pode ser firme em suas convicções, e ao mesmo tempo profundamente comprometida com o cuidado das pessoas. O problema não é a intolerância, o problema é que alguns desejam que a Igreja abandone completamente suas convicções morais.
E existe ainda uma reflexão final que não pode ser ignorada. Aqueles que toleram o lobo acabam sacrificando a ovelha. Em outras palavras, quando uma sociedade abandona completamente qualquer referência moral em nome de uma tolerância absoluta, muitas vezes os mais frágeis são os primeiros a pagar o preço.
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