Deus é mal?

 Deus é mal?



Muita gente odeia a Deus ou chega à conclusão de que Ele é mal, até perceber que tudo aquilo que traz felicidade e tudo aquilo que ama só existe por causa da presença dEle. É comum ouvirmos relatos de pessoas que enriqueceram, mas sentem falta das relações sinceras que tinham quando eram pobres, e isso não acontece apenas por causa de interesseiros, mas porque até mesmo os antigos amigos passam a olhar para elas com cobrança, como se devessem ter feito mais, ajudado mais. Da mesma forma, não é raro vermos filhos amaldiçoando os próprios pais após a leitura de um testamento, por acharem que mereciam uma parte maior da herança. É assim que muitos enxergam a Deus, não com gratidão, mas com exigência, como se Ele devesse sempre dar mais, afinal, Ele é todo-poderoso. O problema é que esquecem que tudo aquilo que chamam de felicidade só existe por causa dEle, inclusive seus próprios desejos e possibilidades só existem porque Deus permite.

Agora pense com calma, como você define o que é bem e o que é mal, e quem te deu essa definição? Já parou para refletir que até aquilo que você chama de mal só pode ser reconhecido porque existe um padrão estabelecido por Deus? E se aquilo que você enxerga como crueldade da parte de Deus, na verdade, for justo ou necessário dentro de um plano maior? O curioso é que dificilmente colocamos nossos próprios atos nessa balança com o mesmo rigor, raramente nos chamamos de maus, mas quando se trata de Deus, somos rápidos em rotular. Isso revela mais sobre nós do que sobre Ele, porque quem precisa de ajuste somos nós, não Deus. Ele é o padrão absoluto do que é correto, e só conseguimos chamar algo de bom ou mau porque existe um bem supremo que é o próprio Deus.

Durante a criação do meu filho, por muito tempo buscamos evitar uma exposição prolongada a telas, filmes, desenhos e coisas do tipo, justamente para estimular a imaginação e incentivar atividades mais saudáveis. Em determinado momento, para ajudá-lo a acordar mais cedo, comecei a chamá-lo pela manhã para assistirmos desenhos juntos. Ele ficava muito feliz com esse momento, era algo especial para ele. Mas houve um dia em que eu disse, pronto, por hoje chega, vamos fazer outra coisa, e ele começou a chorar e disse que não era mais “amigo do pai”. Perceba o contraste, ele me viu como “mau” por ter desligado o desenho, mas não se lembrava de que só assistia aquilo porque eu proporcionava, todos os dias, e mais do que isso, ele só conhecia aquele desenho porque fui eu quem apresentou.

Isso me fez refletir diretamente sobre a nossa relação com Deus. Muitas vezes reagimos da mesma forma, esquecemos de tudo o que recebemos e focamos apenas no momento em que algo nos é tirado ou negado. Ficamos irritados com filhos desobedientes, mas não percebemos que só lidamos com isso porque fomos abençoados com filhos, algo que muitos desejaram e nunca puderam ter. Reclamamos quando algo acontece com o carro, um risco, um farol quebrado, mas ignoramos o fato de que só nos incomodamos com isso porque temos um carro. Da mesma forma, muitos se revoltam contra Deus ao perderem alguém, sem perceber que a dor só existe porque aquela pessoa foi um presente que jamais poderíamos produzir por conta própria.

O Deus que te deu uma casa, uma família, uma vida, é o mesmo que permite dificuldades nessa casa e enfermidades ao longo do caminho. O propósito por trás da alegria e da dor é o mesmo, fazer com que você glorifique a Cristo. Tanto os momentos bons quanto os difíceis existem para moldar o seu caráter, para que você se torne mais parecido com Ele. Não se trata apenas de experimentar a admiração por Deus nos tempos de alegria, mas também de viver a fé, a perseverança e o testemunho nos momentos difíceis. Tudo o que passamos contribui para alinhar nossos olhos ao céu, para formar em nós um caráter verdadeiramente cristão.

No fim, a questão não é se Deus é bom ou mau, mas se estamos dispostos a reconhecer que nossa visão é limitada e frequentemente ingrata. Quando isso fica claro, a última coisa que faz sentido é acusar Deus, porque começamos a perceber que tudo, absolutamente tudo, está sob um propósito maior que vai além da nossa compreensão imediata.

“Deus é lei para si mesmo e não tem nenhuma obrigação de prestar contas de suas atitudes a quem quer que seja”
A.W. Pink

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