Se o universo precisa de Criador, por que Deus não precisa de um criador?

 

Se o universo precisa de Criador, por que Deus não precisa de um criador?



Essa pergunta é repetida com frequência, como se fosse um golpe final contra a ideia de Deus. A questão é "Se os  cristãos dizem que a criação é prova de um criador, pois tal complexidade nescessita de um criador inteligente, então, nessa lógica, Deus também precisaria de um Criador"

 Mas essa premissa parte de uma confusão básica. Só aquilo que foi criado precisa de criador. Não é o fato da complexidade apenas, mas da contingência. O universo é contingente, ou seja, poderia não existir, é limitado, sujeito a começo, expansão, transformação e possível fim. Deus, por definição, não é contingente. Quando afirmamos que Deus é eterno e não criado, estamos justamente dizendo que Ele não pertence à mesma categoria do universo.

O universo, de acordo com o próprio consenso científico atual, teve um início. A expansão cósmica, o modelo do Big Bang e as evidências acumuladas apontam para isso. Durante muito tempo, porém, muitos cientistas e ateus sustentaram que o universo era eterno, que sempre existiu. Curiosamente, a ideia de algo eterno não era considerada absurda quando aplicada ao cosmos. Mas quando se afirma que Deus é eterno, então isso passa a ser tratado como irracional.

Alguns chegam a dizer que não faz sentido algo ser eterno, não ter começo. Mas o que exatamente significa essa objeção? Se é impossível conceber algo eterno, então o próprio universo jamais poderia ter sido considerado eterno, como já foi defendido. Além disso, o próprio Stephen Hawking argumentou que, dentro de buracos negros, o conceito de tempo como o conhecemos deixa de existir. Se há realidades físicas nas quais o tempo não opera da forma convencional, por que a ideia de um Ser atemporal seria automaticamente descartada como incoerente?

A questão central é compreender a diferença entre o necessário e o contingente. O universo é contingente, ele poderia não existir, depende de condições específicas, é composto por partes, sofre alterações. Deus, na concepção clássica teísta, é um ser necessário, não depende de nada externo para existir. Ele não começou a existir, portanto não precisa de causa. Perguntar “quem criou Deus?” é como perguntar “qual é o peso do número sete?”, é aplicar uma categoria inadequada ao objeto em questão.

Hoje sabemos que o universo não é eterno no sentido clássico, ele teve um início e é finito em diversos aspectos. Se algo começou a existir, faz sentido perguntar pela sua causa. Mas se estamos falando de uma realidade que não começou, que é eterna e necessária, então a pergunta por um criador simplesmente não se aplica. O erro está em tratar Deus como se fosse apenas mais um elemento dentro do universo, quando a própria definição teísta o coloca como fundamento da existência, não como parte dela.

No fim das contas, a objeção não demonstra incoerência na ideia de Deus, mas revela uma dificuldade em lidar com categorias filosóficas distintas. O universo é contingente, Deus, na teologia clássica, é necessário. E apenas o que começa a existir precisa de causa.

Palavras-chave: quem criou Deus, universo contingente, Deus eterno, argumento cosmológico, ser necessário, Stephen Hawking buracos negros, origem do universo, teísmo clássico, causa primeira, filosofia da religião

Postar um comentário

0 Comentários

Ad Code

Responsive Advertisement