"Não quero que ninguém se espelhe em mim.”

 "Não quero que ninguém se espelhe em mim.”



Você não tem essa escolha. Não adianta dizer que não quer ser referência, porque, queira você ou não, alguém sempre estará sendo influenciado pela sua vida. A sua postura, suas atitudes, suas palavras e até seus silêncios comunicam algo o tempo todo. No fim das contas, existem apenas duas possibilidades reais, ou você será um bom exemplo, ou será um mau exemplo, não existe um terceiro caminho neutro. Sempre haverá alguém olhando para a sua conduta e decidindo se aquilo é algo a ser seguido ou evitado, algo que inspira ou algo que serve de alerta.

Quando você entende isso, percebe que há uma responsabilidade inevitável em cada ação. A forma como você trata as pessoas não termina em você. Se você trata com respeito um pai de família, pode influenciar a forma como ele educa o próprio filho. Se você trata sua esposa com dignidade, sua filha ou outras jovens podem passar a desejar esse mesmo padrão em suas vidas. Perceba como isso se expande, quando alguém vive de maneira honrosa, não está apenas vivendo bem, está elevando o padrão ao redor, mostrando que existe um nível mais alto, que não precisamos nos acostumar com o que é errado. Uma pessoa que cresce cercada de bons valores dificilmente aceitará ser tratada de forma inferior, porque já conheceu algo melhor.

Por outro lado, também é verdade que maus exemplos se espalham com a mesma força, ou até mais. As pessoas se acostumam com o erro, e o que antes causava incômodo passa a ser visto como normal. Pior ainda, muitos começam a usar o erro dos outros como justificativa para os próprios desvios, como se o fato de todos fazerem tornasse aquilo aceitável. Com o tempo, o padrão coletivo vai sendo rebaixado, e aquilo que é correto começa a parecer estranho. E quando alguém foge desse padrão baixo, quando alguém vive de forma mais reta, logo surgem críticas, zombarias e tentativas de desmerecer. Chamam de exagero, de ingenuidade, de tolice, porque é mais fácil atacar quem faz o certo do que confrontar a própria consciência.

Infelizmente, isso revela algo incômodo sobre nós, muitas vezes não queremos melhorar, queremos apenas nos sentir confortáveis com o nível em que estamos. Existe uma tendência humana de puxar os outros para baixo, porque, assim, ninguém precisa admitir que está vivendo aquém do que poderia. A inveja, nesse sentido, não é apenas desejar o que o outro tem, mas desejar que o outro não seja melhor do que você. E isso se manifesta de forma sutil, em críticas constantes, em ironias, em uma resistência quase automática contra quem tenta viver de maneira mais íntegra.

Esse impacto é ainda mais evidente entre jovens e crianças. Eles não copiam apenas ideias abstratas, copiam pessoas. Uma criança dificilmente diz “quero ser sábia” de forma genérica, ela precisa de uma referência concreta, alguém que encarne aquilo que ela admira. Por isso ela diz “quero ser como meu pai” ou “quero ser como Davi”. Essas figuras dão forma às virtudes, tornam visível aquilo que, de outra forma, seria apenas um conceito. Mas há um ponto importante aqui, ao escolher alguém como modelo, a tendência não é copiar apenas as grandes qualidades, mas também os detalhes, o jeito de falar, os gestos, as preferências, até mesmo pequenas manias. Aquilo que você considera irrelevante em si mesmo pode estar sendo absorvido por alguém sem que você perceba.

Por isso, é essencial ter consciência de que tudo comunica, inclusive o que você acha que passa despercebido. Sua vida está sendo observada, interpretada e, muitas vezes, imitada. Diante disso, o chamado é claro, seja firme, persevere nas dificuldades, busque viver de forma reta. Quando a Bíblia diz que a carne é fraca, não está justificando o erro, está alertando para que você não confie cegamente nos seus próprios impulsos. Existe um padrão mais alto, e ele deve ser buscado com seriedade.

Talvez você pense que não tem importância, que sua vida não serve de exemplo, que ninguém está olhando. Mas isso não é verdade. Sempre há alguém observando você, mesmo que em silêncio, alguém que enxerga em você algo digno de admiração. Pode ser um filho, um amigo, um desconhecido, não importa. O fato é que sua vida ecoa muito além do que você imagina. Por isso, seja luz no mundo, não seja trevas. Não apenas pelo que isso representa para você, mas pelo impacto que isso terá na vida de outros.

E, por fim, um conselho para quem se espelha em alguém, é inevitável admirar pessoas e tomar exemplos como referência, isso faz parte do desenvolvimento humano. Mas é preciso discernimento. Nem tudo em alguém é digno de ser imitado. Observe os frutos, observe as consequências, avalie com cuidado o que deve ser absorvido e o que deve ser rejeitado. Porque, no fim das contas, aquilo que você admira revela muito sobre quem você está se tornando.

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