Não tema o caos político
Durante processos eleitorais em países importantes, muitos cristãos (inclusive de outras nações) acompanham ansiosamente o desfecho decisivo, torcendo e militando por determinados candidatos. A justificativa é que alguns candidatos podem ser contrários ao cristianismo e adotar estratégias que prejudiquem a população.
Claramente, devemos buscar e orar para que a perseguição contra a igreja não cresça. Devemos buscar o bem-estar de nossa família e de nossa terra e combater a opressão de candidatos moralmente malignos, mas não devemos ter medo exagerado, nem militar em prol de um oposto devido ao temor de uma liderança ruim. O caos político sempre foi uma ferramenta positiva para muitas pessoas ruins, pois, ao gerar crises econômicas e medo, ocorrem falências e desespero; é nesse momento que especuladores compram, autoritários dominam e lobos conduzem ovelhas assustadas para onde querem.
Mesmo que tenhamos que defender nosso direito de ter Bíblias em casa, ler livros de teologia cristã e pregar o evangelho livremente, não podemos ficar dependentes e contar sempre com esses livros, pois eles nem sempre estarão à disposição. Paremos de nos orgulhar tanto deles. Devemos estudar bons autores, mas estar preparados para uma vida cristã que não seja dependente deles. Necessitamos de um evangelho gravado no coração, que seja efetivo mesmo em épocas de perseguição.
Não nos apeguemos à Babilônia, a grande cidade, pois ela vai cair. Todo o nosso estilo de vida, todos os nossos luxos e confortos, não podem anestesiar nosso treinamento para viver Cristo até as últimas instâncias. Se as cidades ocidentais, tais como as conhecemos, se nossa estrutura material se desintegrar e começar a se desfazer diante de nossos olhos, não devemos amá-las a ponto de olhar para trás, como a mulher de Ló, temendo aquilo que deixamos. Não podemos ter tanta saudade e fixação pelo estilo de vida material e confortável que possuímos a ponto de temer arriscar tudo por Cristo. Pelo contrário, devemos estar prontos para deixar nosso estilo de vida em prol do chamado do Senhor. Precisamos reconhecer que, mesmo que a cidade construída por homens caia, nossa esperança e admiração nunca estiveram nela, mas no reino eterno do Senhor, um reino invisível que apenas se manifesta nas coisas deste mundo pelo poder do Espírito Santo.
Talvez a tranquilidade da cultura ocidental tenha nos deixado inertes, distraídos com nossas coisas, sonhos e metas. Talvez tenhamos nos tornado torcedores de lideranças políticas, pois nossa confiança esteja depositada nos benefícios da Babilônia, da cidade dos homens. Mas o sangue dos mártires é a semente da igreja; estejam prontos para serem perseguidos, para serem espalhados, porque o mundo os odiará!
A perseguição foi anunciada pelo próprio Cristo. Não existe salvação neste mundo, não existe um messias político que vai tornar sua vida boa. A guerra já ocorre, e não é uma guerra que se manifestará apenas quando pessoas forem censuradas e perseguidas; ela já é realidade. O mundo já odeia a família, a moral e a religião.
De todos os lados somos pressionados, mas não desanimados; ficamos perplexos, mas não desesperados; somos perseguidos, mas não abandonados; abatidos, mas não destruídos.
Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, angústia, perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada?
Como está escrito: por amor a ti, enfrentamos a morte todos os dias; somos considerados como ovelhas destinadas ao matadouro.

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