“Não acho justo ver pessoas más sendo salvas apenas por se arrependerem”
Todo mundo acha a ideia de perdão maravilhosa... até o momento em que precisa perdoar alguém de verdade. A teoria é linda, mas a prática toca em feridas que a gente nem sempre quer encarar. E quando se trata de salvação, aí o incômodo é ainda maior: ver alguém que cometeu maldades sendo salvo simplesmente porque se arrependeu parece injusto. Mas... injusto para quem? Sob qual padrão?
Primeiramente, não somos nós que definimos o que é justo. Justiça é o que Deus faz, não o que a gente sente. Se você diz que algo é inaceitável ou errado, está partindo do pressuposto de que existe um padrão absoluto de bem e mal. Mas quem define esse padrão? Não somos nós. É Deus. Sem Ele, qualquer moralidade é só opinião.
Paulo explica que Deus foi paciente conosco porque estávamos cegos pelo pecado. Nem sabíamos o que era pecado, porque não conhecíamos a luz. E foi por isso que fomos perdoados. A salvação vem pelo arrependimento verdadeiro, aquele que não se pode fingir para Deus. Para os homens dá pra fazer teatro, mas Deus vê o coração. A salvação não é conquistada por nossos atos, mas sim pelo sacrifício de Cristo, que nos alcançou quando ainda estávamos perdidos. E agora, por servir com sinceridade aquele que é o dono da salvação, recebemos a herança.
Mas aí surge a pergunta: e aquela pessoa que vive se achando boa, que dentro dos padrões do mundo se vê como justa, mas o coração está cheio de inveja, arrogância, idolatria, e rejeita o Deus de Israel, ela deveria estar no céu? E aquela que cometeu erros, fez maldades, mas se arrependeu de verdade, mudou o coração, se curvou diante do Rei dos reis, se humilhou, reconheceu sua culpa e agora ama a Deus... essa sim está salva. Porque a justiça é de Deus, não nossa.
É difícil para um peixe perceber que está molhado, porque molhado é tudo o que ele conhece. Da mesma forma, é difícil para alguém que nasceu dentro de uma cultura arrogante para com Deus perceber essa arrogância. Ela está em tudo, no ar que respiramos, no tecido que molda nossas ideias. É só através da revelação de Deus que entendemos o que é pecado, porque, sem isso, nunca saberíamos quem deveríamos ser, nem o quanto nos afastamos. Afinal, todos os nossos comparativos são com pessoas iguais ou piores do que nós. E esse é o nosso erro: achar que somos bons.
“Porque também nós éramos, noutro tempo, insensatos, desobedientes, extraviados, servindo a várias concupiscências e deleites, vivendo em malícia e inveja, odiosos, odiando-nos uns aos outros. Mas, quando apareceu a benignidade e o amor de Deus, nosso Salvador, para com os homens, não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas, segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo, que abundantemente ele derramou sobre nós por Jesus Cristo, nosso Salvador, para que, sendo justificados pela sua graça, sejamos feitos herdeiros, segundo a esperança da vida eterna.” (Tito 3:3-7)
A questão não é sobre o outro, é sobre mim. O verdadeiro cristão entende a gravidade do seu próprio pecado, reconhece o quanto foi perdoado, e percebe que não merecia. A gente só consegue perdoar quem errou feio conosco quando esse entendimento entra no nosso coração.
Imagina isso: se você entregar uma marmita para o Silvio Santos, ele talvez te agradeça por educação, mas não vai se emocionar por isso. Agora, se você vê uma mãe em situação de rua, com três filhos chorando de fome, e paga um rodízio de churrasco para ela e os filhos, ela provavelmente chorará de gratidão. Por quê? Porque ela sabe o que é fome, ela sabe o que é dor. Gratidão profunda nasce de um coração que reconhece o quanto precisava.
Se eu acho que fui salvo porque sou bom, ou porque mereci, não serei verdadeiramente grato. E, pior, vou rejeitar os que não "fizeram o mesmo que eu". Mas quando entendo de onde fui tirado, os horrores que cometi diante de Deus, os desrespeitos e egoísmos escondidos, vejo que fui aceito de graça. E isso me impede de julgar o outro. Porque sempre que penso “essa pessoa não merecia salvação”, me lembro que eu também não merecia. Se a salvação fosse por obras, estaríamos todos perdidos. Mas pela misericórdia de Deus, somos recebidos pelo amor de Cristo.
E não, não foi barato. Não é “só aceitar Jesus” e pronto. Custou o sangue do Filho de Deus, a cruz, a tortura, a dor. Foi um preço terrível, impensável. Então quem somos nós para tomar o lugar de juiz? Quando julgamos quem merece ou não a salvação, esquecemos dos nossos próprios pecados não confessados, escondidos, ignorados. Pecados que também entristecem o coração de Deus. Enquanto você critica o bandido arrependido, você está recebendo o mesmo perdão que ele, mesmo sem ter consciência da gravidade do que fez.
Você já parou pra pensar que também desonrou a Deus? Pode não ter roubado, mas pecou com egoísmo, com orgulho, rejeitou a vontade de Deus por diversas vezes. Você só se considera melhor porque teve um freio social, uma educação, um contexto mais favorável. Mas, na essência, é o mesmo pecado, só que com outra cara. Deus não mede com régua humana. Ele vê o coração. E o que Ele espera é arrependimento e fé em Jesus, não aparências ou comparações sociais.
Deus prefere um pecador arrependido do que um pecador hipócrita, que se enche de aparência religiosa mas carrega dentro de si idolatria, orgulho, sexualidade distorcida, vícios escondidos. Aquele que finge não ter pecados, mas vive negociando com eles em segredo, criando justificativas para continuar nos mesmos erros. E ainda assim olha com desprezo para os outros, achando que não merecem o perdão que ele mesmo está recebendo. A régua de Deus não é medida pela gravidade social do pecado, mas pelo desrespeito a Ele. E nesse ponto, todos falharam.
Resumindo: aquele “cara legal” que você conhece, que vive em paz, ajuda os outros e parece uma boa pessoa, só está refletindo características que Deus permitiu que ficassem nele. Mas isso não o salva. No fundo, todos somos pecadores que rejeitaram a Deus, que quiseram ser o próprio deus da própria vida, que tomaram decisões egoístas e ingratas contra o Criador. E Deus, sendo justo, tem que fazer justiça. Mas Ele também ama. E se você estiver em Cristo, reconhecendo o seu pecado, se arrependendo, deixando que Ele te restaure, você será redimido. Se não estiver, não há mais esperança.
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