Uso de Drogas para Consciência e Concentração
Jordan Peterson trata desse tema usando o termo “openness”, fazendo referência ao uso de drogas como tentativa de alcançar uma forma de gnose, de acesso a um conhecimento superior ou oculto. Esse tipo de busca é o que alguns chamam de “The Doors”, uma ideia de que haveria portas da percepção que poderiam ser abertas por meio do uso de substâncias, permitindo ver o que em outros estados de consciência não se percebe. A promessa é de uma sensibilidade ampliada, uma experiência transcendente. Mas o custo disso, muitas vezes, é um distanciamento da realidade comum e uma desconexão profunda com os outros.
Esse tipo de prática tende a gerar uma forma de alienação intensa. A pessoa se torna cada vez mais introspectiva, concentrando-se em detalhes que outras pessoas, com o raciocínio mais estruturado e funcional, simplesmente não estão focadas — e não porque estão distraídas, mas porque não faz sentido estar. De fato, essas pessoas sob efeito de psicodélicos chegam a perceber coisas que em estados normais não vemos, e isso pode parecer, à primeira vista, uma vantagem. Mas o problema começa quando elas acreditam que só podem acessar esse tipo de percepção através das drogas. Passam a depender desse estado alterado para sentir que pensam com clareza. Isso cria uma dependência mais profunda do que a de um usuário comum de drogas recreativas.
Enquanto o drogado de rua lida com uma dependência física e emocional, aqui se soma algo ainda mais danoso: uma dependência de raciocínio e concentração. O psicodélico começa a não conseguir mais se conectar racionalmente com as pessoas ao seu redor, porque acredita que ninguém mais está na mesma frequência que ele, que os outros não enxergam o mundo como ele vê. Nasce aí uma divisão de realidades. A mente drogada começa a se descolar do corpo, como se ele fosse apenas uma casca, um peso, algo que o prende num mundo “ilusório”. Para essa pessoa, a vida real passa a ser a experiência em transe, o estado alterado de consciência. Já o corpo, com todas as suas limitações e obrigações, é só um fardo que habita um mundo enganoso, raso, ilusório.
Esse tipo de raciocínio é a porta de entrada para o gnosticismo moderno. Aqueles que seguem esse caminho começam a se fechar, acreditando que possuem um tipo de conhecimento exclusivo, elevado, oculto, que o restante do mundo simplesmente não tem acesso. Se convencem de que estão despertos, enquanto todos os outros vivem dormindo.
Mas o cristianismo vai na direção contrária. Ele diz que essa interação com o outro não é uma ilusão imposta, mas uma parte real da nossa existência que precisamos encarar e aprender a amar, até que possamos ver, de fato, onde está a ilusão. O cristianismo ensina que a comunhão com o outro é o que revela quem somos de verdade, que o nosso corpo não é um obstáculo espiritual, mas parte fundamental de quem somos. O que fazemos neste mundo, com nosso corpo, com nossa mente, com nossas palavras e atitudes — tudo isso afeta nossa alma. Não existe separação entre corpo e espírito como se um fosse puro e o outro uma prisão. Nós somos uma unidade. E é nessa unidade que Deus escolheu nos transformar. É através dessa interação entre o externo afetando e tendo influencia sobre nossas decisões, sobre nossa alma, que surge a síntese de quem deveriamos ser, pessoas que agem no mundo, que agem no outro e que se relaciona verdadeiramente.
“Acaso não sabem que o corpo de vocês é santuário do Espírito Santo que habita em vocês, que lhes foi dado por Deus, e que vocês não são de si mesmos? Vocês foram comprados por alto preço. Portanto, glorifiquem a Deus com o corpo de vocês.” (1 Coríntios 6:19-20)
Não fomos feitos para fugir da realidade, fomos feitos para transformá-la, para agir nela. Abrir as portas do nosso corpo para estados alterados de consciência é como abrir a porta da nossa casa para quem quer que seja entrar e fazer o que bem entender. Devemos ter muito cuidado com promessas de “novas formas de percepção”, porque há espíritos malignos e pessoas mal-intencionadas à espreita, esperando justamente mentes suscetíveis à manipulação. Nossa mente não é psicodélica. Fomos criados com racionalidade, somos seres racionais porque Deus nos criou assim, e Deus é racional. Portanto, é assim que devemos ser.
palavras chave: drogas, consciência, concentração, gnose, jordan peterson, the doors, psicodélicos, alienação, gnosticismo, cristianismo, corpo e alma, espiritualidade, percepção, realidade, dependência, transe, introspecção

0 Comentários