Por que a fé é tão necessária se ateus também têm bons empregos, relacionamentos etc.?
A pergunta é legítima. Por que, afinal, a fé é tão necessária se vemos tantos ateus vivendo bem, com sucesso profissional, bons relacionamentos, viagens, saúde e até mais tranquilidade do que muitos cristãos? À primeira vista, parece incoerente. Se a fé é o caminho da verdade, por que quem rejeita Deus parece também desfrutar de tantas bênçãos?
Mas talvez o problema esteja justamente na forma como interpretamos essas bênçãos. A Bíblia nunca prometeu que quem tem fé será poupado de sofrimento ou que quem rejeita a Deus viverá apenas na escassez. Jesus mesmo afirmou que neste mundo teríamos aflições, e que a chuva cairia sobre bons e maus. Não deveríamos, portanto, nos escandalizar quando o cristianismo afirma que somente aqueles que creem serão salvos. Sim, essa é uma afirmação dura quando lembramos de crianças e adolescentes que parecem ter sofrido tanto, e nos perguntamos como alguns deles poderiam não ser salvos apenas por não terem crido. Mas aqui, a questão é mais profunda: nós só enxergamos um recorte da vida, uma fotografia de um momento, enquanto Deus vê a vida inteira de uma pessoa como um único todo. Ele enxerga o início, o meio e o fim de uma só vez, como um panorama completo, uma narrativa fechada. Deus não vê somente a criança que alguém foi ou é, Ele vê o que aquela pessoa se tornará e tudo o que já foi.
Alguém pode ter sido inocente por cinco anos na infância, mas viver trinta ou cinquenta anos de rebelião, orgulho e desprezo pela verdade. Deus vê o todo, e julga com justiça — algo que nós, limitados pelo tempo, não conseguimos fazer de forma completa.
É normal que, num mundo caído, quem joga o jogo se dê bem. Este mundo é governado por regras e metas estipuladas por pecadores, e por isso faz sentido que quem vive de acordo com esse sistema acabe se destacando nele. Mas o cristão não está focado nas migalhas e medalhas desse mundo. Porque, sinceramente, aqui não é a nossa casa. A nossa esperança está em algo maior, em algo que as trevas não podem compreender. Nossa casa está firmada na Rocha. Os ateus podem ter tudo o que esse mundo oferece, mas estão construindo sobre a areia. Eles não têm esperança que vá além de si mesmos, seus valores mudam com suas vontades, não têm direção absoluta, não têm base inabalável. Se não são fiéis a Deus, por que seriam absolutamente fiéis a qualquer coisa? Suas promessas e alianças têm validade limitada ao momento.
E por não honrarem ao Criador, estão debaixo da ira de Deus. E quando o dia mau chega, quando a vida desaba, não têm para onde correr.
Você não é cristão porque vai ter sucesso ou não nesta vida. Você é cristão porque enxergou que há um vazio no ser humano que só Deus pode preencher. Você sabe que Deus é digno de toda honra e toda glória, e que o objetivo da sua vida é muito maior do que conquistas temporárias. Ser cristão não é apenas ter um bom casamento, ou uma vida equilibrada. Isso pode vir, claro, como parte da vida cristã, mas não é o centro da nossa fé. Enquanto os ateus transformam essas coisas em seu tesouro final, nós enxergamos que essas coisas são boas, mas não são suficientes. Não suportam o peso da alma. São bênçãos, mas não são a fonte. Não preenchem o vazio humano.
Não cremos no Senhor apenas para receber coisas boas. Cremos porque reconhecemos que Ele é o Senhor do universo. Porque entendemos que a vida fora dEle não faz sentido. Nós buscamos aquele que não decepciona, não falha, não muda. Buscamos a coroa da vida, a ressurreição, a eternidade. Vivemos para honrar aquele que nos amou tanto que entregou o próprio Filho em nosso lugar, pagando um preço eterno para que pudéssemos estar com Ele.
Já pensou que talvez os ímpios prosperem justamente porque Deus está usando essas circunstâncias no seu plano eterno? Talvez para provar outros. Talvez para revelar o pecado de forma mais clara. Talvez até porque um dia se converterão. Veja o caso do Faraó no Egito. Ele foi elevado à posição de autoridade com um propósito: cumprir o plano de Deus. E esse poder que ele teve será parte da própria condenação dele. Ou seja, não haverá desculpa.
Podem existir ateus relativamente bons, e muçulmanos, e outras pessoas com valores morais aparentemente elevados. Mas a questão central aqui não é “ser bonzinho”, é sobre coerência e fundamento. Um ateu que ama ao próximo, que é honesto e generoso, não está sendo um bom ateu, porque está vivendo com base em valores que não fazem sentido dentro de sua cosmovisão materialista. Ele está, mesmo sem saber, partilhando da moral cristã. O mesmo vale para outras religiões. Quando fazem o bem, não é por coerência com suas doutrinas, mas porque estão refletindo, ainda que parcialmente, a lei moral que Deus escreveu no coração humano. É a graça comum agindo no mundo, mesmo onde a fé ainda não chegou.
Mas antes de qualquer um desses argumentos, lembre se da palavra:
“Para demonstrarem que são filhos do Pai de vocês, que está nos céus. Porque Ele faz o seu sol nascer sobre maus e bons, e vir chuvas sobre justos e injustos.”
Mateus 5:45 (NAA)
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