"Se não existisse religião o mundo seria um lugar de paz!"


 "Se não existisse religião o mundo seria um lugar de paz!"


Essa afirmação parece convincente para alguns, mas ao analisarmos com mais cuidado percebemos o quanto ela é superficial e incoerente. O ateísmo, por exemplo, prega que não existem valores absolutos e que a sobrevivência do mais forte, ou seja, a seleção natural, foi o caminho pelo qual a humanidade chegou até aqui. Então basta olhar para o mundo animal para perceber que violência existe de forma natural. É contraditório um ideal que toma a seleção natural como método de desenvolvimento humano acusar a religião de ser a responsável pela violência.

Isso não possui embasamento lógico, é apenas uma teoria sem fundamento sólido. Sim, existem religiões que praticaram ou praticam violência, mas divisões, rivalidades e conflitos existem em todas as áreas da sociedade: nos esportes, na política, por cor, por raça, por ideologias e até por opiniões pessoais. Basta observarmos a história para perceber que os maiores massacres não vieram da fé cristã, mas de governos ateus e comunistas. Mao Tsé-Tung, por exemplo, causou a morte de cerca de 75 milhões de pessoas. Estados oficialmente ateus e comunistas praticaram perseguições e violências tremendas. Ou seja, a religião cristã não causa violência, mas o ser humano é violento por natureza, e o pecado é a raiz dessa violência.

Muitos gostam de acusar: “quem não acreditava naquelas histórias da Bíblia era queimado” ou “a Bíblia apoiava a morte de gays”. É preciso refletir com honestidade. O ateísmo como política de Estado soviético perseguiu e matou milhões de cristãos. A Revolução Francesa, que até hoje é elogiada por setores seculares, fez o mesmo, guilhotinando e executando inúmeros religiosos. Em outras palavras, qualquer sociedade organizada, em algum momento, condena à exclusão ou até à morte aqueles que considera uma ameaça à sua ordem. Isso não é exclusividade da religião, é um reflexo da natureza humana, marcada pela lógica do “nós contra eles”.

Até hoje, vemos exclusões semelhantes acontecendo em outras formas. Pessoas foram impedidas de receber transplantes de coração por não terem tomado a vacina contra a Covid-19. Isso não é também uma perseguição? O que diriam se alguém fosse impedido de receber um transplante apenas por defender ideias comunistas? Seria um escândalo, e com razão. Então por que não reconhecer que exclusão e perseguição são parte da condição humana e não um monopólio da religião?

É importante também entender o contexto de Israel na antiguidade. Havia, naquele momento, uma lei que condenava homossexuais à morte, mas isso não era uma perseguição contra outras nações, nem contra estrangeiros, mas apenas uma legislação aplicada ao próprio povo judeu. O objetivo era proteger a família, que era vista como a base moral de toda a sociedade. Atos que rompiam esse padrão eram entendidos como ameaças que poderiam levar ao colapso social. A família era considerada o núcleo de sustentação do capital moral do povo, por isso toda forma de imoralidade sexual era condenada, não por ódio a indivíduos, mas por preservar a estrutura da comunidade. Hoje, o mundo considera o homossexualismo algo normal, mas isso não significa que essa seja uma verdade imutável. Muitas práticas vistas como normais no passado hoje são reconhecidas como nocivas, tanto moral quanto socialmente.

Por isso, dizer “quem não obedecia morria” é uma simplificação. O que ocorria naquela época continua ocorrendo de maneiras diferentes em qualquer sociedade, seja ela de direita, esquerda, progressista, religiosa ou ateia. Todas estabelecem leis e limites sobre o que consideram destrutivo para sua cultura. E como já afirmei em outro texto, a lei não existia apenas para punir, mas principalmente para alertar o povo sobre os perigos de determinados comportamentos e assim proteger a ordem social.

Alguém pode perguntar: “Mas se no passado as pessoas eram mais cristãs, por que aquela era uma época mais cruel?”. A resposta é que nossa época também é cruel, mas de formas diferentes. A diferença é que, no passado, as leis civis eram mais rudimentares, e hoje temos uma institucionalidade mais forte, leis internacionais, diplomacia entre países e maior capacidade de fiscalização. Mesmo assim, ainda vemos atrocidades acontecendo: campos de concentração, torturas e repressões desumanas continuam existindo em várias partes do mundo. A ingenuidade é pensar que a violência ficou no passado.

Deus permite que a humanidade caminhe como uma criança em crescimento, que evolui em maturidade moral com o tempo. Ele nos conduz até a plenitude dos tempos, para que aprendamos a resistir ao pecado, a lidar com nossas próprias estratégias e a buscar sempre a resposta na Sua Palavra. A verdadeira paz não virá da ausência de religião, mas da transformação do coração humano diante de Deus.



Palavras chave: religião e violência, ateísmo e comunismo, história da perseguição religiosa, cristianismo, leis de Israel, moralidade, pecado e violência, família e sociedade, exclusão social, fé e razão

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