Paulo era Platônico? A Farsa da Leitura Grega do Apóstolo

 

Paulo era Platônico? A Farsa da Leitura Grega do Apóstolo



O grande interesse em tentar rotular Paulo como um platônico está na tentativa de desidratar o cristianismo de sua base histórica e profética, transformando a fé em uma filosofia abstrata e dualista que separa o mundo espiritual do mundo material. Ao fazer isso, o liberalismo teológico busca desvincular o Evangelho de suas raízes no Antigo Testamento, sugerindo que Paulo não estava pregando o cumprimento das promessas de Deus a Israel, mas sim uma espécie de "iluminação" grega sobre a alma. Essa manobra serve perfeitamente para aqueles que desejam invalidar a autoridade das Escrituras, pois se Paulo é apenas um filósofo adaptando ideias pagãs, então o cristianismo deixa de ser uma revelação divina e histórica para se tornar apenas mais uma construção intelectual humana entre tantas outras da antiguidade.

Tais teorias, atacam diretamente a doutrina da ressurreição do corpo e a renovação de toda a criação, que são pilares da fé hebraica de Paulo. Se aceitarmos que ele era platônico, passamos a acreditar que a salvação é apenas "ir para o céu" como almas desincorporadas, ignorando que a esperança cristã é a restauração da vida aqui e agora, sob o senhorio de Cristo. Além disso, essa leitura enfraquece a ética cristã, pois se o corpo e o mundo material não importam tanto quanto as ideias abstratas, a encarnação de Jesus perde seu peso real, e o cristianismo se torna uma religião mística e sem alma, perdendo a força de transformação social e espiritual que só uma teologia fundamentada na realidade bíblica pode oferecer.

Não há nada mais irreal e desconectado da verdade do que a tentativa de fazer uma leitura platônica de Paulo de Tarso, pois essa visão já está completamente superada e cheia de mofo acadêmico. Essa interpretação datada remonta ao hegelianismo de direita (e aqui não falo de política, mas de filosofia) da escola de Tübingen, vinda da metodologia exegética liberal de F. C. Baur, que tentava forçar Paulo dentro de moldes que nunca foram dele. O fato é que qualquer estudo sério e honesto do contexto originário de Paulo revelará que o seu pano de fundo intelectual é profundamente judaico, sendo que suas categorias de pensamento, sua forma de enxergar o ser humano e as respostas que ele propõe são hebraicas, e não gregas.

Toda a "Nova Perspectiva sobre Paulo", que tem levantado discussões fundamentais na teologia do Novo Testamento recentemente, parte justamente da descoberta dessa influência determinante do judaísmo do Segundo Templo na formação do imaginário teológico paulino. Nós podemos até discordar das conclusões teológicas de autores como James Dunn e N. T. Wright, mas é inquestionável que o trabalho deles trouxe conquistas valiosas do ponto de vista contextual para a exegese moderna. Ignorar o DNA judaico de Paulo para tentar transformá-lo em um filósofo grego é ignorar a própria essência dos seus escritos, pois ele não pensava em dualismos abstratos, mas na realidade da aliança e das promessas feitas ao seu povo.


Palavras-chave:

palavras chave: Paulo de Tarso, judaísmo do segundo templo, exegese bíblica, nova perspectiva sobre Paulo, James Dunn, N.T. Wright, teologia paulina, contra o platonismo

O Gemini disse

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