Poliamor e Relacionamento Aberto

 Poliamor


Em meados de 2019, popularizou-se o termo poliamor para designar relações onde, em vez de um relacionamento formado por duas pessoas, homem e mulher, há três, quatro ou mais envolvidos, todos se amando entre si, ou um amando dois com o consentimento de ambos. A proposta parece moderna, sofisticada, quase filosófica. Mas, para mim, isso não passa de uma mudança linguística, uma tentativa de tornar aceitável aquilo que sempre foi reconhecido como promiscuidade ou infidelidade. Troca-se o nome, suaviza-se o impacto, e de repente o que antes era visto como desordem moral passa a ser tratado como algo debatível, até bonito. Assim como chamar racismo de “desconfiança com raças diferentes” não altera sua essência, chamar promiscuidade de poliamor não transforma sua natureza. Se alguém não deseja assumir compromisso, se quer usufruir sexualmente de várias pessoas sem pagar o preço de se entregar totalmente a uma só, então que assuma isso com honestidade. Não se esconda atrás de termos polidos.

Esse tipo de relacionamento não é neutro em suas consequências. Ele favorece a banalização do corpo, multiplica riscos de doenças, transfere não apenas bactérias, mas inseguranças, comparações e rebaixamentos constantes. Cria uma cultura onde homens e mulheres deixam de ser vistos como pessoas com posições sagradas na vida uns dos outros, mãe, irmã, amiga, esposa, e passam a ser enxergados como corpos disponíveis, animais que podem ser acessados sem a necessidade de lealdade ou entrega total. Aos poucos, o valor único de cada pessoa se dissolve, porque tudo se torna substituível.

Existe um ditado popular na internet que diz: “Se a conexão está fraca é porque tem gente nova conectada no Wi-Fi”. Ele é usado para falar de relacionamentos, ilustrando que quando a conexão entre duas pessoas se enfraquece é porque há alguém interferindo, mais gente conectada na mesma rede, gerando desgaste. A analogia é simples, mas poderosa. Qualquer relação em que várias pessoas tentam se conectar intimamente ao mesmo tempo acaba necessariamente enfraquecendo algum dos envolvidos. Isso vale para Wi-Fi e vale para relacionamentos. Nenhuma rede com muitos usuários entrega o mesmo desempenho que entregaria a apenas um.

A Bíblia apresenta o casamento de forma clara, e se o casamento é uma invenção de Deus, anterior a nós, como podemos querer redefini-lo? Como podemos ressignificar o amor, se não fomos nós que o criamos? O amor não é uma construção recente da modernidade, é uma realidade anterior a nós, da qual não participamos na formação. Alterar sua definição para acomodar nossos desejos não muda sua essência.

A mulher que é dividida com outra, ainda que aceite essa condição, aos poucos se sentirá comparada, insuficiente, substituível. Não há como se sentir única ou especial quando tudo o que se oferece pode ser replicado por outra pessoa. Sua posição deixa de carregar significado profundo e passa a ser apenas funcional. O mesmo ocorre com o homem. Em vez de parceria exclusiva, instala-se uma competição silenciosa. E onde há competição constante, dificilmente haverá paz.

Relacionamentos assim podem até oferecer prazer carnal, mas perdem em transcendência, significado, moral, pureza, simbolismo, entrega, parceria, comunhão e cumplicidade. Não há lealdade total, e também não há a segurança de ser amado com exclusividade. São vínculos frágeis, sustentados mais pelo desejo do que pela aliança. Pergunto, com sinceridade: por que alguém dedicaria seus sonhos, seu tempo e todas as áreas da sua vida a quem amanhã pode direcionar seus frutos e atenções para qualquer outra pessoa apenas por sentimentos e tesão ?

Alguns podem dizer que, se ambos não exigirem exclusividade, não há problema. Mas então, para que compartilhar um contrato, formar uma família, dividir metas, sonhos e responsabilidades? Se nenhum dos dois deseja direcionar forças e atenção para construir uma intimidade duradoura, por que fingir que estão formando algo que necessita de nome e reconhecimento social? É mais coerente, ainda que errado, que sejam apenas amigos que mantêm relações físicas. Chamar isso de casamento é como chamar um carrinho de mão de Ferrari apenas porque ambos têm rodas. O fato de haver relação física não significa que exista família.

Não é por acaso que sociedades distópicas frequentemente retratam relacionamentos sem vínculo exclusivo. Em contextos onde imperadores são tratados como deuses, a monogamia é um problema, pois ela gera vínculo, cria uma esfera íntima que escapa ao controle do Estado. Já a poligamia favorece a ausência de vínculos profundos, produz prazer sem lealdade, porque a lealdade suprema deve ser direcionada ao imperador ou ao sistema. A quebra da exclusividade enfraquece laços e fortalece estruturas de poder centralizadas.

Atuar dessa forma é, no fim das contas, sobrepor vontades pessoais à própria realidade humana. Se uma namorada recebe mais atenção, mais elogios ou um presente melhor, naturalmente se sentirá mais amada, enquanto a outra se sentirá inferiorizada. A competição surge porque, como seres humanos, precisamos de posições únicas e delimitadas para compreender nosso valor e nosso papel. Isso nos ajuda a saber o que é devido e quais regras regem aquela relação. Em culturas onde o casamento é puramente estrutural, essa divisão pode até ser tolerada. Mas em uma cultura ocidental moldada pelos princípios cristãos, onde o casamento simboliza a relação de Deus com Sua Igreja, amor e comunhão exigem prioridade e diferenciação. Sem isso, o casamento se torna empobrecido e caótico, perde sua força simbólica e sua profundidade espiritual.

No final, a questão não é apenas sobre desejo, mas sobre significado. Ou o amor é uma entrega total e exclusiva, ou ele é apenas conveniência e prazer.  


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