O Comandante e a Verdade Absoluta
Para evitar o anacronismo, devemos compreender que a violência era necessária e esperada nos períodos antigos. Naquela época, se você não fosse o melhor guerreiro aquele que se destaca perante a nação, a glória trazida aos seus subordinados não seria válida, pois você não teria o poder de conceder tal honra. Sem a excelência própria, não há glória a ser transmitida.
Aqueles que o seguem e dependem de sua direção para sobreviver no campo de batalha só seriam grandiosos se reproduzissem as virtudes guerreiras e emulassem os melhores. Não existia honra em submeter-se a quem era fraco ou incapaz. Afinal, se os soldados estão abaixo de alguém ruim, trapaceiro ou tolo, o que seriam eles próprios?
Dessa dinâmica, surge naturalmente o sentido de hierarquia e lealdade. Onde impera a desordem, não se sabe quem é o melhor ou o mais apto a liderar. Se considerarmos que existe um padrão de excelência a ser buscado, um critério objetivo entre o bom e o mau, o desejo de melhorar torna-se inevitável. Para isso, é preciso saber quem seguir; é necessário identificar o que é bom para poder perseguir tal bondade. Assim, ranquear padrões de excelência é uma consequência esperada.
Em uma sociedade relativa, onde nada é objetivo e tudo é considerado igualmente válido e digno, nada acaba sendo realmente digno de ser seguido. Por que alguém seguiria quem não é superior em excelência? Ao demonstrar lealdade a quem está hierarquicamente acima, o indivíduo revela qual padrão deseja seguir, demonstrando compromisso com algo louvável.
De certa forma, existia um caráter "democrático" nesse contexto: ser líder não era glorioso apenas por mérito individual, mas pelo que os guerreiros faziam por ele e como o viam. A diferença é que essa "democracia" cotidiana não se baseava no relativismo moral, mas em padrões de excelência eternos. As pessoas eram livres para escolher qual padrão queriam servir.
Por fim, o guerreiro moldado pela cristianização, ao converter-se, deixa de lutar apenas pelo seu comandante. Ele se torna mais individual ao lutar por Deus; seu padrão e seus objetivos mudam. O propósito do guerreiro deixa de ser a busca por glórias particulares e torna-se um compromisso sério, focado na responsabilidade de converter ou vencer uma batalha espiritual.

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