O Cânon Burguês e a Religião de César
Nada serviu tão bem à burguesia quanto expulsar a moralidade cristã do centro da sociedade. Ela era o último limite, a última barreira que impedia o dinheiro de satisfazer todos os seus desejos. E quando essa moral caiu, o objetivo passou a ser um só: a supremacia do materialismo e do dinheiro, agora legitimada pela propaganda e pelo marketing. A partir daí, quem dita o que é certo ou errado passou a ser quem tem mais poder, mais alcance, mais influência — e principalmente, mais dinheiro.
A estratégia foi simples: acabar com as diferenças, dissolver aquilo que torna cada um único e capaz de construir valores, propósitos e missões singulares. A religião, a masculinidade, a feminilidade, tudo aquilo que compõe a pessoalidade humana, tudo aquilo que nos faz mais do que consumidores ou engrenagens — tudo isso precisou ser removido. Porque quando você tem família, dons, preferências, raízes, você é imprevisível. Você é um risco. Para o sistema, é muito mais conveniente que você viva como uma formiga, igual a todas as outras, obedecendo a uma única lógica, a da produção e do consumo.
Quanto menos diferença, mais controle. Quanto menos identidade, mais obediência. Quanto mais você se distancia da sua missão pessoal e da sua consciência moral, mais facilmente você se submete a um Estado que deseja te manter em um cubículo perto do trabalho, funcionando como parte de uma máquina. E nesse sistema, quanto menos você pensar, melhor. Assim, os que estão acima do jogo, os que controlam o capital, podem fazer o que quiserem sem se preocupar com o julgamento moral do trabalhador, afinal, o que importa hoje é apenas uma coisa: trabalhar, ganhar dinheiro e consumir. Feito isso, você pode fazer o que quiser com o resto da sua vida. Todo o restante foi empurrado para o campo do irrelevante.
A burguesia comemorou o fim da religião e da autoridade transcendental. Sem fé, sem rei, sem altar, agora são eles que ditam as regras. Nada os supera, nada os questiona. Uma tradição maior que eles? Isso precisa ser ridicularizado. Uma moral acima do desejo? Isso precisa ser criminalizado. Uma beleza que aponta para o eterno, para o sublime? Isso precisa ser trocado por utilidade, por função. Colocar a religião acima da ciência virou pecado capital. Colocar a moral acima da vontade virou opressão. Colocar o belo acima do útil virou motivo de escárnio.
Mas no fim, é isso: uma sociedade que adora César e serve à religião do mercado, onde tudo se justifica se der lucro, onde o que é certo é o que funciona, e o que é verdadeiro é o que pode ser medido. E nesse mundo, o ser humano vai sendo esmagado, cada vez mais reduzido, cada vez menos consciente de que foi feito para algo maior do que obedecer ao algoritmo e produzir resultados.
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