When Giants Were Upon the Earth - Capítulo 12 - Existem elementos da Guerra Cósmica no Novo Testamento?




When Giants Were Upon the Earth - Capítulo 12 -  Existem elementos da Guerra Cósmica no Novo Testamento?


Jesus Cristo é a Semente profetizada em Gênesis 3:6, que estaria em guerra com a Semente da Serpente. Jesus Cristo é a Semente à qual Deus fez Suas promessas (Gálatas 3:16). Pode até não haver menção a gigantes nos Evangelhos, mas eu encontrei um gigante situado na mesma época e região aproximada do ministério de Cristo. Um dos meus recursos históricos foi o historiador judeu antigo Flávio Josefo. Sua rica obra, Guerras dos Judeus, é a única fonte detalhada dos eventos que levaram à destruição de Jerusalém e do templo em 70 d.C. (tema de Juízo de Jerusalém). Josefo, não cristão, confirma vários detalhes dos Evangelhos: Pôncio Pilatos, os Herodes, João Batista, o apóstolo Tiago e até mesmo Jesus Cristo. Embora seu viés pró-romano seja bem conhecido, ele ainda assim oferece informações valiosas e confiáveis para o investigador histórico. Uma dessas curiosidades é a referência a um judeu gigante de 3,20 metros de altura, chamado Eleazar, que foi apresentado como presente ao imperador Tibério César, na presença de Herodes Antipas, pelo rei da Pártia, Artabano III, no ano 33 ou 34 d.C. Josefo não informa se o gigante judeu era servo ou cativo, mas era certamente um objeto de negociação, uma moeda diplomática entre os dois impérios. 

Qumran, os Essênios e os Manuscritos do Mar Morto

Em 1946, os famosos Manuscritos do Mar Morto foram descobertos em cavernas próximas ao antigo assentamento essênio de Qumran, na margem noroeste do Mar Morto, a cerca de vinte quilômetros a leste de Jerusalém. Esses textos lançaram luz sobre a comunidade monástica primitiva que vivia ali, já mencionada por Josefo em seus escritos. Desde então, muita discussão e debate giram em torno desses manuscritos e do povo que os armazenou como parte de suas bibliotecas.

Um dos elementos mais interessantes de suas crenças é a semelhança da esperança messiânica com aquilo que acabaria se tornando o ensino do Novo Testamento sobre Jesus. O estudioso Marvin Pate explica que, como muitos judeus do período do Segundo Templo, os essênios também aguardavam um Messias davídico, que libertaria Israel de seu exílio contínuo sob o domínio romano

Uma descoberta mais recente, de um texto antigo em pedra chamado “Visão de Gabriel”, datado do século I a.C., revelou uma correspondência notável com a ideia do Messias ressuscitando após três dias — algo muito mais explícito do que qualquer referência semelhante no Antigo Testamento. Isso não significa que a Visão de Gabriel deva ser considerada Escritura. Mas certamente adiciona uma confirmação externa à compreensão da esperança messiânica judaica que se cumpriu em Cristo.

A expectativa judaica, baseada no sonho de Nabucodonosor em Daniel 2, era de que o Messias viria para esmagar a nação de Roma na história. A comunidade de Qumran possuía um texto chamado “O Rolo da Guerra”, que descreve em detalhes essa Guerra dos Filhos da Luz contra os Filhos das Trevas, referindo-se aos romanos pelo nome simbólico de Quitim

Contudo, como Josefo explica, o período após a morte de Herodes, o Grande, em 4 a.C., foi marcado por diversos movimentos messiânicos e revolucionários, muitos dos quais estavam em conflito uns com os outros. Eles divergiam sobre qual interpretação era a correta e quem seriam de fato o povo escolhido de Deus. Pate aponta que outro elemento de distinção emergia nos Manuscritos do Mar Morto: os essênios se consideravam o único remanescente verdadeiro de Israel. Quando o Messias viesse, ele livraria apenas a Comunidade Essênia, enquanto destruiria o restante de Israel com seu exército sagradoIsso lembra de maneira impressionante o Discurso do Monte das Oliveiras de Jesus, que descreve o julgamento destrutivo de Deus sobre Jerusalém e o Templo (Mateus 24), bem como o resgate simultâneo do remanescente eleito (Mateus 24:15-22; Romanos 11:1-10). Esses essênios estavam tão próximos — e ao mesmo tempo tão distantes.

O teólogo N. T. Wright resume bem essa expectativa terrestre dos judeus por um rei conquistador físico, e não por um servo sofredor:

“Muitos, senão a maioria dos judeus do Segundo Templo, esperavam então um novo êxodo, visto como o retorno final do exílio. A história alcançaria seu clímax; a grande batalha seria travada; Israel realmente ‘voltaria’ para sua terra, salva e livre; YHWH retornaria a Sião. Isso seria, em sentido metafórico, o fim do mundo, o início, enfim, da nova era prometida por YHWH."

Tudo isso não quer dizer, como afirmam os estudiosos liberais ou céticos da Bíblia, que Jesus estava errado em suas declarações apocalípticas. Ao contrário, Ele foi ao mesmo tempo o servo sofredor e o conquistador poderoso de um Armagedom espiritual, um fim da era da aliança, de um reino que não é deste mundo, cujos efeitos seriam vistos ao longo da história

César e Cristo


Mas até mesmo os pagãos têm suas próprias profecias messiânicas. Parece que todo mundo queria ser Deus. E os romanos não eram exceção. A linguagem usada para se referir a Augusto César refletia conceitos semelhantes aos atribuídos a Jesus Cristo no Novo Testamento. Inscrições em moedas e edifícios por todo o império chamavam Augusto de “Deus, Filho de Deus, Salvador.” Uma proclamação famosa sobre Augusto utilizava expressões como “salvador”, “deus manifesto” e “boas novas 

Os primeiros Padres da Igreja e os medievais ficaram tão impressionados com a sabedoria clássica que tentaram incorporar grandes escritores gregos e romanos à sabedoria revelada de Deus. Alguns chegaram a afirmar que Aristóteles ou Platão haviam sido salvos por meio da revelação natural. Agostinho contou uma história em sua obra A Cidade de Deus, sobre uma profecia que teria sido dada pela Sibila Eritreia a Augusto César, mas que apontava para Cristo — e não para César — como o governante do mundo.

“Como sinal do juízo, a terra transbordará suor.
Um rei destinado a reinar para sempre virá do céu,
presente em carne mortal, para julgar o mundo.”

Embora sejam lendas fabricadas por cristãos bem-intencionados, que buscaram nas literaturas sibilinas gregas apoio à sua fé, elas revelam o fato de que, às vezes, Deus usa pagãos como instrumentos de profecia ou juízo (Nm 22:21-39; 1Sm 19:21-24; Is 10).

Nefilim e Demônios


Demônios são um problema teológico. De onde eles vêm? O que são? Por que estão praticamente ausentes no Antigo Testamento e, de repente, surgem com grande intensidade quando o Messias chega a Israel? O exorcismo de demônios está tão frequentemente ligado à proclamação do evangelho por Jesus que parece ser mais que uma simples demonstração simbólica de seu poder espiritual — é um componente teológico essencial da Nova Aliança. 

Mas de onde vieram esses espíritos malignos? No Antigo Testamento há pouca explicação sobre demônios. Deus envia um espírito maligno para atormentar o rei Saul em 1Sm 16:14.Deus envia um “espírito mentiroso” à boca dos falsos profetas. Demônios? Talvez. Mas, com certeza, subordinados à vontade de Deus. Mesmo o satan no Antigo Testamento é retratado como servo limitado da vontade divina (Jó 1:12).Mas além desses poucos exemplos, não há atividade demoníaca comparável à do Novo Testamento, com endemoninhados sendo libertos por Cristo e seus discípulos. Parece que os demônios sabiam que a presença do Messias era a contagem regressiva para sua derrota final, e reagiam em desespero. Como se a Semente da Mulher estivesse esmagando a cabeça da Semente da Serpente, e o corpo ainda se contorcesse em dor.

Mas demônios nunca são descritos como anjos caídos na Bíblia. O que são, então? E de onde vieram?O pai da Igreja Orígenes afirmou que não havia um ensinamento claro sobre a origem dos demônios nos primeiros tempos da igreja, mas que uma opinião amplamente aceita era que “o diabo era um anjo que se rebelou, e induziu o maior número possível de anjos a caírem com ele, e estes são até hoje chamados seus anjos.” Essa ideia comum de que o satanás e os demônios são anjos caídos costuma ser defendida com Isaías 14:12-15, Ezequiel 28:12-16 e Apocalipse 12:4. Mas, como explicado nos capítulos anteriores, não acredito que essas passagens se refiram a uma queda satânica. A única “queda” de seres angelicais descrita na Bíblia é a dos Filhos de Deus, os Vigilantes, em Gênesis 6.

Isso, no entanto, traz outro problema: a natureza ontológica dos anjos, como revelada na Bíblia, indicaria que anjos caídos não são os demônios descritos. Os anjos podem transitar entre céus e terra, mas têm corpo de carne, comem (Gn 18; 19:1) e podem ter relações sexuais com humanos (Gn 6:1-4). Uma carne celestial diferente da humana (1Co 15:39-40), mas ainda assim carne. Isso os tornaria improváveis como espíritos incorpóreos que buscam corpos para possuir.

Mas há uma tradição com peso considerável: o Dicionário de Deuses e Demônios na Bíblia afirma:

“O mito mais popular, entretanto, é encontrado na Bíblia, na literatura intertestamentária, nos rabinos e nos Pais da Igreja: os demônios são as almas da descendência dos anjos que coabitaram com humanos.”

E estamos de volta ao texto antigo que vive ressurgindo no Novo Testamento: o livro de 1 Enoque. Lá lemos que os gigantes tinham um status ontológico único, híbridos de humano com anjo. E que, ao morrerem no Dilúvio, seus espíritos tornaram-se entidades errantes, buscando corpos humanos para possuir:

1 Enoque 15:8–16:1

8 “Mas agora, os gigantes nascidos da união dos espíritos com a carne serão chamados de espíritos malignos sobre a terra, pois sua habitação será na terra e dentro da terra.
9 Espíritos malignos saíram de seus corpos. Desde o dia em que foram criados a partir dos santos, tornaram-se os Vigilantes; sua origem é espiritual. Tornar-se-ão malignos sobre a terra e serão chamados de espíritos malignos...
12 E esses espíritos se levantarão contra os filhos dos homens e contra as mulheres, porque deles procederam.. 

Desde os dias do massacre e destruição, e da morte dos gigantes... eles corromperão até o dia da grande consumação, até que se cumpra o grande tempo, até que tudo esteja concluído sobre os Vigilantes e os ímpios.”

 O Deus Deste Mundo

Essa perspectiva envolve os Vigilantes caídos, membros da hoste celestial de Deus, também chamados de Filhos de Deus, que desviaram a humanidade nos dias de Noé, levando ao Dilúvio como julgamento de Yahweh. Em Deuteronômio 32:8–9, lemos que, na ocasião da Torre de Babel, Yahweh dividiu as setenta nações. Mas essas receberam uma espécie de “príncipes” (Dn 10:13, 20–21) ou “deuses” daquelas nações pagãs (Dt 32:17; 4:19–21), governando sobre territórios geográficos específicos. Quando reis terrenos travam batalhas, a Bíblia descreve que os exércitos celestiais travam lutas paralelas, em unidade espiritual. Em Daniel 10, as hostilidades entre Grécia e Pérsia são acompanhadas por batalhas entre os Vigilantes celestiais representando essas nações

Essa noção de arcontes territoriais ou governantes espirituais é bíblica e continua presente na literatura intertestamentária, como no Livro de Enoque (1En 89:59, 62–63; 67), entre outros. No entanto, esse conceito parece enfraquecer na época do Novo Testamento. Walter Wink observa que a imagem dos Vigilantes sobre as nações aparece insinuada em 1 Coríntios 4:9, onde Paulo afirma que sua perseguição tornou-se um “espetáculo (theatron) para o mundo, para os anjos e para os homens”. Ele explica que essa imagem de teatro romano evoca “multidões hostis e zombeteiras”, e que os anjos seriam “representantes celestiais das nações gentílicas, que assistem com certo prazer malévolo às tribulações enfrentadas pelo apóstolo em nome de seus povos”.

As epístolas falam claramente das potestades espirituais por trás dos governantes terrenos (Ef 6:12–13), mas de maneira mais genérica. E, após a morte, ressurreição e ascensão de Cristo, essas potências espirituais foram despojadas e derrotadas (Cl 2:15; Lc 10:18), ao menos legalmente, perdendo sua hegemonia (Ef 1:20–23). Esses poderes caídos ainda atuam, mas estão desarmados com a inauguração do Reino Messiânico de Deus.

Mas há uma dessas entidades angelicais caídas que, no Novo Testamento, parece se destacar com autoridade extraordinária: o satan (que significa “acusador”). A escolha do nome Belial para o satanás no livro Jesus Triumphant é bem atestada nas Escrituras e em diversos escritos judaicos antigos, especialmente os Manuscritos do Mar Morto de Qumran. Ele também é chamado de Beliar, Mastema e Sammael em outros textos do Segundo Templo. Ao longo do Antigo Testamento, o termo hebraico belial é usado como personificação da morte, maldade e traição, além de ser um termo carregado de emoção para descrever indivíduos ou grupos que cometem crimes abomináveis contra a ordem religiosa ou social de Israel. O apóstolo Paulo usa o nome Belial como sinônimo de Satanás (em linguagem parecida com a dos manuscritos de Qumran) em 2 Coríntios 6:14–15

Três vezes no evangelho de João, esse acusador, chamado Belial, é denominado “o príncipe deste mundo” (Jo 12:31; 14:30–31; 16:11); em 2 Coríntios 4:4, é “o deus deste mundo”; e em Efésios 2:2, é “o príncipe da potestade do ar, o espírito que agora opera nos filhos da desobediência”. Quando Jesus é tentado por satanás no deserto, ele oferece a Cristo todos os reinos do mundo, dizendo: “porque me foram entregues, e dou a quem quiser” (Lc 4:6). Parece, então, que o satanás é o único dos Vigilantes que ainda detém autoridade global. Mas e os outros?

Walter Wink propõe uma chave importante: no período intertestamentário, muitos judeus passaram a identificar Satanás como o anjo de Roma, adaptando o conceito dos anjos das nações à nova realidade de hegemonia romana. Já que Roma conquistou praticamente todo o mundo conhecido, seu príncipe angelical tornou-se o senhor sobre todos os demais príncipes das nações vencidas. Essa identificação já é explícita nos textos de Qumran, onde Roma (os “Kittim” do Rolo da Guerra) é vista como aliada e agente de Satanás.

O manuscrito de Qumran 11QMelquisedeque interpreta o Salmo 82 como uma condenação ao próprio Belial, chefe dos deuses no conselho divino, que será punido por sua autoridade injusta sobre as nações. Outro texto judaico, o Testamento dos Doze Patriarcas, também mostra Beliar como aquele que mantém a humanidade em cativeiro.

No texto religioso pós-testamentário Martírio e Ascensão de Isaías (século I d.C.), os nomes Satanás, Sammael e Beliar são usados como sinônimos. Já em um texto posterior, o 3 Enoque (século V d.C.), esses nomes são vistos como entidades distintas: Sammael e Beliar são subordinados de Satanás.

Mas o ponto curioso é que, nesse mesmo texto, Sammael é chamado de Príncipe de Roma, assim como Dubbiel é o Príncipe da Pérsia (lembrando do “Príncipe da Pérsia” de Daniel 10):

3 Enoque 26:12

“Todos os dias, Satanás se assenta com Sammael, Príncipe de Roma, e com Dubbiel, Príncipe da Pérsia, e escrevem os pecados de Israel em tábuas e os entregam aos serafins, para que os levem diante do Santo, bendito seja Ele, a fim de que destrua Israel do mundo.”

Ou seja, algo como acusadores que procuram motivos para que Israel (a menina dos olhos de Deus) seja punida. Cristo, ao pagar a justa dívida de Israel e da humanidade, é aquEle que quebra a autoridade dos espíritos malignos sob as nações, derrubando por terra qualquer poder e argumento acusatório.

Assim como o satanás no Novo Testamento, Sammael é chamado de "príncipe dos acusadores", maior do que todos os príncipes dos reinos celestiais (3En 14:2). Seu nome significa “deus dos cegos” — a mesma expressão usada em 2 Coríntios 4:4.

Portanto, em alguns desses textos, Sammael é o príncipe vigilante sobre Roma, subordinado ao satanás. Em outros, ele é o próprio acusador supremo, representando o satanás em sua função celestial.

Mas o que exatamente significa essa noção de arconte ou deus deste mundo? Esse “mundo” é algo maior que o Império Romano? 

Para entender isso, é preciso compreender o uso da palavra “mundo” no Novo Testamento. Era comum referir-se ao Império Romano como “todo o mundo” (oikoumene), ou seja, o mundo habitado e conhecido sob domínio de Roma. Em Lucas 2:1, por exemplo, o decreto de César para um censo abrange “toda a terra” (oikoumene). Em Mateus 24:14, Jesus diz que o evangelho será pregado em “todo o mundo” (oikoumene) antes do fim. Todas as nações  (e seus anjos vigilantes? ) estavam sob o domínio de Roma naquele tempo.

Outra palavra grega usada para esse “mundo” era cosmos. Mas, ao contrário da nossa ideia moderna de universo físico, cosmos significava algo mais como a ordem mundial, o sistema de valores da humanidade caída. E esse sistema era, naquele tempo, representado por Roma. Por isso, quando Paulo diz que o evangelho “chegou a vós, assim como em todo o mundo (cosmos)” (Cl 1:6) ou que a fé dos cristãos romanos foi “divulgada por todo o mundo (cosmos)” (Rm 1:8), ele se refere à totalidade do Império Romano. Assim, cosmos, oikoumene e outras expressões globais eram usadas de forma intercambiável para falar do “mundo” conhecido, dominado por Roma e, portanto, sob autoridade de seu príncipe espiritual.

Se o satanás é o “deus” ou “governante” desse mundo, então provavelmente ele tornou-se o Vigilante de Roma, e é por isso que o Novo Testamento se concentra nele, acima dos demais. Roma tornou-se o inimigo máximo do povo de Deus, autoridade sobre todas as nações. A visão de Daniel 2 se encaixa aqui: a pedra messiânica (Jesus) atinge e destrói o império romano como ápice do poder ímpio. Essa teoria é reforçada no Apocalipse, onde o Dragão (Ap 12), claramente identificado como “a antiga serpente, que é o diabo e satanás” (20:2), é o príncipe angelical que dá autoridade tanto à Besta do Mar (13:1–2) quanto à Besta da Terra (13:11–12).

A imagem da Besta do Mar como Roma é aceita por praticamente todas as correntes interpretativas. Robert Mounce resume:

“Não há dúvida de que, para João, a besta era o Império Romano como perseguidor da igreja. Ela emerge do mar, como as tropas romanas invadindo o Mediterrâneo oriental. A besta representa o espírito de poder imperial que clama aprovação divina para suas injustiças grotescas.”

O especialista em escatologia Ken Gentry, em The Beast of Revelation, argumenta que essa imagem representa tanto um indivíduo (o imperador) quanto o império em si, ambos encarnações do caos espiritual e opressão. Os outros anjos que a cauda do Dragão arrasta consigo (Ap 12:4) representam então os Vigilantes das nações conquistadas por Roma, todos agora sob autoridade do satanás.

Quando Jesus inaugura o Reino de Deus, ele “amarra o valente” — o deus deste mundo, o satanás. Sua expulsão de demônios era um sinal do colapso do poder de Satanás (Jo 12:31; Mt 12:28–29). Ele assume autoridade sobre o mundo. Com um único golpe no trono celeste do mal, derruba todos os inimigos subordinados a ele. Jesus destrói aquele que tinha o poder da morte — o diabo (Hb 2:14).

Mas então por que ele ainda “anda em derredor como um leão que ruge, buscando a quem possa tragar” (1Pe 5:8)? Porque sua queda não foi absoluta. Foi um aprisionamento limitado.

Magia e o Acorrentamento dos Espíritos

Tal conceito tem origem teológica no acorrentamento de Satanás durante o ministério de Cristo, como visto em Mateus 12, bem como no aprisionamento dos anjos em “correntes de trevas” no Tártaro, segundo Judas 6 e 2 Pedro 2:4. Essas passagens do Novo Testamento são paráfrases da narrativa enoqueana sobre os Vigilantes antediluvianos, que, no momento do Dilúvio, foram “acorrentados” “por setenta gerações debaixo das pedras da terra, até o dia do seu julgamento” (1 Enoque 10:12).

A ideia de acorrentar espíritos era comum nas religiões e magias da antiguidade. O estudioso Michael Fishbane observa que, no antigo Oriente Próximo, feitiços e encantamentos eram usados por feiticeiros e encantadores para prender pessoas e espíritos em “armadilhas, fossos, laços e redes” espirituais. Exorcistas do primeiro século usavam encantamentos no nome de Jesus para expulsar demônios (Atos 16:18), o mesmo tipo de encantamento que os próprios demônios usavam contra Jesus antes de serem expulsos (Mc 1:27). Ezequiel 13:18 menciona uma forma específica de caça e aprisionamento de espíritos, praticada por mulheres que “costuram pulseiras mágicas para todos os pulsos... na caça às almas!

Apocalipse 20:2–3 oferece uma solução teológica para esse dilema: ali é dito que Satanás é acorrentado e lançado num abismo selado por mil anos, “para que não mais engane as nações”. O título de “enganador do mundo” é um epíteto bíblico de Satanás (Ap 12:9; 20:7), desde o princípio no Jardim do Éden (1Tm 2:14; Jo 8:44). Assim, é possível que esse acorrentamento represente a contenção de sua capacidade de enganar o mundo, já que Jesus agora possui toda autoridade, permitindo que o evangelho seja proclamado a todas as nações (Mt 28:18).

Essa ideia de acorrentamento de Satanás é problemática para aqueles que interpretam tal ato como futuro, durante um milênio literal que ainda não teria ocorrido. Mas nem precisamos de Apocalipse 20 para sustentar essa ideia, porque Jesus já a afirma em Mateus 12: Jesus afirmou que seu ministério de expulsar demônios da Terra Prometida era uma forma de acorrentar o satanás. O satanás não pôde impedir o início do Reino de Deus na terra (isto é, o avanço do Evangelho). Esse acorrentamento é como uma ordem judicial espiritual contra Satanás. No Antigo Testamento, o satanás tinha um papel jurídico divinamente autorizado como uma espécie de promotor. Ele testava a lei divina através da acusação contra o povo de Deus (1Rs 22; Jó 1–2; Zc 3). Em Apocalipse 12:10, sua queda do céu é descrita como a expulsão do “Acusador dos nossos irmãos”, coincidindo com a inauguração do Reino de Deus.

Sim, muitas nações ainda “jazem no maligno”, mas, enquanto no Antigo Testamento o Reino de Deus se limitava a um pequeno pedaço de terra no Oriente Médio, agora, sob o poder da Nova Aliança, pessoas de todas as nações estão sendo salvas por toda a Terra. Toda a Terra é a herança do Messias, não apenas a terra de Israel (Sl 2:8). Os reinos dos homens estão se tornando os reinos de Deus, por meio da proclamação e expansão do evangelho (1Co 15:24–28; Hb 2:8–9).

As Portas do Hades e a Transfiguração 

Em Mateus 16:13–20 temos a famosa passagem da confissão de Pedro, logo em seguida, Jesus os conduz a um alto monte, onde ocorre a sua transfiguração. Para compreender a realidade espiritual do que está acontecendo nessa sequência polêmica e sua relevância para a Guerra Cósmica da Semente, é necessário primeiro entender onde tudo isso acontece.

O versículo 13 indica que a confissão de Pedro ocorre nos arredores de Cesareia de Filipe, no coração de Bashã nas encostas do Monte Hermom. Era ali que se localizava o célebre gruta de Banias ou Panias, onde se adorava o deus-sátiro Pan, e onde brotava a nascente do rio Jordão. Esse lugar era conhecido como as “portas do Hades”, a entrada para o submundo. O estudioso Judd Burton observa que este é, por assim dizer, o "ponto zero" dos deuses contra os quais Jesus trava sua guerra espiritual cósmica. O Monte Hermom foi o local onde os Vigilantes desceram à terra, iniciaram sua rebelião e praticaram miscigenação, dando origem aos Nefilim (1 Enoque 13:7–10). Este é o  lugar da Serpente, onde Azazel possivelmente era adorado como ídolo de um bode do deserto, antes mesmo de Pan.

Assim, quando Jesus fala em edificar sua igreja sobre uma rocha, trata-se tanto de uma contraposição polêmica à cidade pagã construída sobre a rocha, quanto de um trocadilho com o nome de Pedro, que significa "pedra". No mundo antigo, os montes eram considerados portais entre céu, terra e submundo — e também as moradas dos deuses, representando sua autoridade e poder celestiais. O monte diante deles, Hermom, era visto como a habitação dos deuses cananeus e dos próprios Vigilantes — e era diante dessas “portas do Hades” que Jesus agora se posicionava. A polêmica se torna ainda mais evidente ao notarmos que portas não são instrumentos de ataque, mas de defesa. Ou seja, o reinado de Cristo está atacando as portas do Hades, no coração das trevas, e ele edificará sua montanha sagrada cósmica sobre suas ruínas.

O episódio seguinte é justamente a transfiguração (Mateus 17:1–13). O texto diz que Jesus conduziu três discípulos a um alto monte — mas não especifica qual monte. Embora a tradição muitas vezes tenha identificado esse monte como o Tabor, o candidato mais provável é o próprio Monte Hermom. As razões: o Tabor tem apenas cerca de 550 metros de altura, enquanto Hermom possui quase 2.800 metros; além disso, o Tabor era um local bastante movimentado, o que impediria Jesus de estar a sós com seus discípulos.

O ponto teológico aqui é que Moisés e Elias representam a Antiga Aliança, a Lei (Moisés) e os Profetas (Elias), mas Jesus é o Rei ungido (Messias) para quem toda a Lei e os Profetas apontavam. Assim, Deus está ungindo Jesus e transferindo toda a autoridade da aliança para ele, seu Filho. E com qual propósito? Para que se torne Rei sobre o novo monte cósmico que Deus está estabelecendo: o Monte Sião, na Cidade de Deus. Como no caso de Davi, o tipo messiânico, Jesus foi ungido Rei, mas ainda há gigantes a derrotar antes de assumir plenamente o trono (1Sm 16:13; 2Sm 5:3). Assim como Moisés foi transfigurado (Êx 34:29), o corpo de Jesus foi transformado por sua unção, brilhando com a glória dos que cercam o trono de Deus (Dn 10:6; Ez 1:14–16; 10:9).

Há uma última passagem que ilustra a troca de posse do monte cósmico em Bashã, revelando sua substituição por Sião e os conflitos espirituais envolvidos:

Salmo 68:15–22

15 Ó monte de Deus, monte de Bashã; ó monte de muitos picos, monte de Bashã!
16 Por que olhas com inveja, ó monte de muitos picos, para o monte que Deus desejou para sua morada, onde o Senhor habitará para sempre?

21 Mas Deus ferirá a cabeça de seus inimigos, o escalpo cabeludo daquele que anda em caminhos de culpa. 

22 O Senhor disse: “Trarei de volta de Bashã, trarei de volta das profundezas do mar.” 

Neste salmo, Deus assume posse de Bashã com seu exército celeste, mas logo a substitui por Sião (antes Sinai). Não se trata de Deus tornar Bashã literalmente seu monte, mas sim de conquistar suas divindades e teologicamente substituí-las. 

A Descida de Cristo ao Hades/Sheol 

Quando Cristo “foi pregar aos espíritos em prisão”, o texto diz que ele foi “morto na carne, mas vivificado no espírito”. No grego original, o verbo traduzido como “foi” não carrega, por si só, a ideia de direção (como ascensão ao céu ou descida ao inferno)... Alguns estudiosos interpretam “vivificado no espírito” como referência à ressurreição física de Cristo, o que se repete no versículo 21. O comentarista Ramsey Michaels afirma:

“A distinção feita aqui entre 'carne' e 'espírito' não se refere às partes materiais e imateriais da pessoa de Cristo (isto é, corpo e alma), mas sim entre sua existência terrena e seu estado ressuscitado.”

O teólogo William Dalton argumenta que “vivificado no espírito” era uma expressão do Novo Testamento usada para se referir à ressurreição corporal de Cristo pelo poder do Espírito Santo, e não à sobrevivência de sua alma separada do corpo

"A antropologia do Novo Testamento insiste na unidade da pessoa humana. Termos como ‘carne’ e ‘espírito’ designam aspectos da existência humana, não partes de uma composição" 

Essa interpretação clássica vê Cristo pregando aos espíritos no Hades como alguém já ressuscitado, antes de sua ascensão.

Outra visão aceita é a de que essa pregação ocorreu enquanto Cristo estava em estado desencarnado, entre sua morte e ressurreição. Durante os três dias em que seu corpo esteve morto, seu espírito estava vivo em Sheol. Essa visão, de que a alma ou espírito de Cristo desceu ao mundo subterrâneo de Sheol entre sua morte e ressurreição, é a mais antiga e tradicional, como testemunha o Credo dos Apóstolos. palavra grega para “vivificado” nunca é usada para a ressurreição física de Cristo no Novo Testamento, mas sim para a vivificação espiritual do crente em Cristo (Ef 2:5–6). Cristo sofreu a morte espiritual da separação do Pai quando morreu na cruz (Is 53:4–6; 1Pe 2:24; Mt 27:46). Nesta interpretação, é o espírito desencarnado de Cristo que faz a jornada para proclamar aos espíritos — e não seu corpo ressuscitado.

Quem são os “espíritos em prisão”?

A identidade desses “espíritos” tem sido amplamente debatida, caindo geralmente em quatro categorias: espíritos humanos, demônios, Vigilantes, ou alguma combinação desses.

O estudioso John Elliott descarta a ideia de que “espíritos” se refira a seres humanos, analisando o termo grego pneuma nas Escrituras e na literatura intertestamentária. Ele conclui:

“O uso de ‘espíritos’ para seres humanos é muito raro, e quando ocorre, sempre há uma qualificação. Nos textos bíblicos e afins, ao se referir a mortos no Hades, o termo usado não é pneuma, mas psyche.”

Por outro lado, Ramsey Michaels mostra que “espíritos” (pneuma) é usado com frequência no Novo Testamento para se referir a demônios, aqueles seres sobrenaturais que Jesus frequentemente confrontava. Em 1 Enoque, “pneuma” é usado para descrever os demônios como as partes remanescentes dos gigantes mortos no Dilúvio. Nesta visão, os “espíritos em prisão” seriam as almas demoníacas dos Nefilim, presos em uma ‘cela de contenção’ subterrânea até a vinda do Messias.

O livro intertestamentário dos Jubileus, que se baseia fortemente em 1 Enoque, também concorda que os espíritos em questão são anjos caídos. Judas não apenas cita diretamente Enoque em Judas 4, como também, ao longo de toda a sua carta, segue a progressão de ideias de 1 Enoque e referencia temas e motivos do pecado e julgamento dos anjos vigilantes nesse antigo texto. 2 Pedro 2 é considerado uma paráfrase de Judas, com o acréscimo do termo “Tártaro” como descrição do local de punição.

Tártaro era bem conhecido dos antigos como o ponto mais baixo do submundo, onde os Titãs estavam acorrentados na mitologia pagã. Esse submundo era chamado Hades (grego) ou Sheol (hebraico), havendo uma conexão conceitual evidente com o local de punição mencionado por Judas e Pedro.

Chad Pierce apresenta um argumento convincente de que os espíritos desobedientes não são apenas os anjos Vigilantes, demônios ou espíritos humanos individualmente, mas a totalidade de todos os que desafiaram Deus naquele tempo — já que, no mundo antigo, os poderes cósmicos estavam frequentemente unidos aos poderes humanos.Na Bíblia, o poder angélico sobre a Pérsia animava o reino humano da Pérsia (Dn 10:13). O reino humano romano, em Apocalipse, recebe poder de Satanás (Ap 12–13), e ambos são destruídos juntos no Lago de Fogo (Ap 19:20; 20:7–10). Wink explica que a mente antiga dos escritores bíblicos operava dentro do paradigma macrocosmo/microcosmo: “o que está acima é como o que está abaixo”. A atividade angélica e demoníaca nos céus refletia-se em eventos na terra. “Esses Poderes são tanto celestes quanto terrenos, divinos e humanos, espirituais e políticos, invisíveis e estruturais.”

E Pierce conclui: “A distinção entre pecadores cósmicos e terrenos é tão difusa que se torna indistinguível. Parece que o autor de 1 Pedro 3:18–22 deixou intencionalmente os destinatários da mensagem de Cristo vagos, de modo a incluir todas as formas de seres malignos. Os espíritos em prisão são, portanto, todas as forças do mal que agora foram subjugadas e derrotadas por Cristo.”

Assim, Paulo pôde encorajar os cristãos que sofriam nas mãos de governantes e autoridades humanas:

“Pois não temos que lutar contra carne e sangue, mas contra os principados, contra as potestades, contra os poderes cósmicos sobre esta presente escuridão, contra as forças espirituais do mal nas regiões celestiais” (Ef 6:12–13).

Em outras palavras, os verdadeiros inimigos dos cristãos perseguidos eram os poderes espirituais por trás de seus opressores terrenos. Isso não é uma negação do mal humano, mas sim o levantamento do véu para ver com mais clareza o inimigo último.

Esses “poderes, governantes, autoridades e tronos”, tanto espirituais quanto terrenos, são a Semente da Serpente envolvida na Guerra Cósmica da Semente contra o Messias. São esses governantes, celestes e terrenos, que não entenderam o mistério do Evangelho da redenção através do sofrimento do Messias. Pensaram que matar o Escolhido, o Messias, lhes traria vitória.

1 Coríntios 2:7–9

“Mas falamos a sabedoria de Deus em mistério, a sabedoria oculta, a qual Deus preordenou antes dos séculos para nossa glória;
a qual nenhum dos príncipes deste século conheceu; porque, se a tivessem conhecido, nunca teriam crucificado o Senhor da glória.”

Sendo assim, os humanos dos dias de Noé estavam certamente unidos na rebelião dos Vigilantes, sendo também marcados por Enoque para o juízo, junto com os anjos.

Qual foi a Proclamação?

Alguns acreditam que Cristo teria pregado o evangelho aos mortos do Antigo Testamento, como se eles pudessem ter uma segunda chance de se arrepender por terem morrido antes da vinda do Messias, ou até mesmo aos fiéis do Antigo Testamento que ainda não tinham o sacrifício histórico de Cristo aplicado a eles. Como não há em nenhum lugar do Novo Testamento qualquer suporte à ideia de uma segunda chance purgatória após a morte (cf. Hb 9:27), a proclamação feita por Cristo não pode ser uma “pregação do evangelho” com vistas à salvação, mas algo diferente. Esse “algo diferente” é, muito provavelmente, uma proclamação triunfante de sua vitória sobre as autoridades e poderes angelicais.

No mundo antigo, reis vitoriosos realizavam procissões triunfais pelas ruas das cidades conquistadas. Desfilavam com seus inimigos capturados, vivos ou mortos, sobre carros, como forma de exibir publicamente seu domínio. É essa imagem de procissão triunfal que aparece no Salmo 68, citado em Efésios 4:8 como: “subindo ao alto, levou cativo o cativeiro”. Essa exibição pública também servia de incentivo à obediência dos habitantes vencidos. A linguagem triunfal como essa, presente em 1 Pedro e em outras passagens, reflete esse tipo de vitória militar de Cristo sobre as autoridades dominantes, conquistada na cruz.

Em Colossenses 2:15 lemos que Deus “despojou os principados e as potestades, e os expôs publicamente ao desprezo, triunfando deles na cruz”. Sua morte perdoa nossa dívida legal, sua ressurreição nos une a uma nova vida espiritual, e sua ascensão encerra tudo com uma volta vitoriosa, arrastando atrás de si os poderes das nações derrotados e acorrentados.

A visão de mundo de Deuteronômio 32, fala da distribuição das nações da terra aos Vigilantes caídos, no episódio da Torre de Babel (Dt 32:8–9; 29:26). Deus concedeu autoridade territorial a esses seres divinos (Dt 4:19–20; Dn 10). Mas reservou para si Jacó, e tomou a terra de Canaã como sua herança. O cenário, portanto, é o de um mundo dividido em porções territoriais sob a autoridade dos Vigilantes caídos como deuses falsos, com Yahweh assumindo Israel como seu povo e Canaã como seu território

Sendo assim, a proclamação que Cristo fez aos espíritos em prisão foi, muito provavelmente, uma declaração de vitória e autoridade sobre os poderes angelicais que outrora governaram os gentios. A herança da terra e o ajuntamento das nações começaram de fato no Dia de Pentecostes, quando o Espírito Santo reverteu o julgamento de Babel e iniciou o chamado das nações para si (Atos 2).

Mas por que Cristo proclamaria autoridade ou vitória àqueles que já estavam presos? Isso não seria anticlimático? Não, se considerarmos que os outros poderes angelicais ainda estavam soltos e reinando sobre a terra, assim como chefes da máfia presos ainda mantêm ligação com criminosos do lado de fora. Os poderes angelicais aprisionados no Dilúvio eram os primeiros rebeldes, os progenitores da Semente da Serpente que continuaria a se manifestar numa linhagem de maldade terrena. Eles estavam acorrentados, mas a Guerra da Semente que provocaram continuava. Os exorcismos de Cristo tornam-se o símbolo da autoridade cósmica com que ele expulsa os poderes do mal ocupantes, descritos como um exército (Lucas 11:18). E essa autoridade cósmica culmina na derrota da Serpente.

Lucas 11:20–22

“[Jesus:] Se é pelo dedo de Deus que eu expulso os demônios, então é chegado a vós o Reino de Deus. Quando o valente guarda armado a sua casa, seguros estão os seus bens; mas, sobrevindo outro mais valente que ele, vence-o, tira-lhe a armadura em que confiava e reparte os seus despojos.”

A partir dali, Jesus reina vitoriosamente, desfazendo a Torre de Babel (Atos 2), expulsando as autoridades espirituais sobre as nações (Dt 32:8), e atraindo essas nações para o novo monte cósmico: o Monte Sião (Is 2). Esta é a Guerra Cósmica da Semente, uma guerra em que Cristo conquista seus inimigos através do poder do evangelho proclamado na história


 

 

 

**Este texto é um resumo feito por Paulo Barbosa com base na obra "When Giants Were  Upon The Earth" de Brian Godawa. O conteúdo aqui apresentado visa fins educacionais e de discussão, conforme previsto no art. 46 da Lei 9.610/98.

 

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