Ocupações Inferiores?
“Médicos ajudam a salvar vidas, mas outras profissões ajudam a vida a valer a pena.”
Por que algumas donas de casa se sentem inferiores? Em grande parte, porque sofreram uma lavagem cerebral de uma sociedade doente. Absorveram o lixo cultural e ideológico que foi sendo espalhado por novelas, filmes, movimentos ideológicos e pela própria arte desconectada da verdade. Muitas dessas mulheres precisam urgentemente de oração, intimidade com Deus e estudo de cosmovisão cristã para redescobrir seu valor.
Outro ponto é que algumas realmente se tornam inferiores, assim como existem médicos inferiores, executivos inferiores e professores inferiores. Nenhuma ocupação, por si mesma, é gloriosa ou superior. O que dá valor ao trabalho é a forma como é exercido, a motivação, os princípios e a cosmovisão que orientam quem o executa. Se não realizamos nossas funções com propósito, buscando projetos que transcendam o imediato, nós mesmos nos tornamos inferiores, independentemente do cargo.
A sociedade moderna criou a ilusão de que algumas profissões são mais nobres do que outras. Isso se deve em grande parte ao mercado, que transformou dinheiro e ostentação em ídolos. Profissões tradicionais que envolvem alto status ou remuneração passaram a ser vistas como superiores. Mas isso é falso. A humanidade precisa de todo tipo de profissão, e cada uma delas exerce papéis distintos. Nem sempre a nobreza de um trabalho é medida pela dificuldade técnica, mas pelo fato de alguém estar disposto a realizá-lo com dedicação e amor.
Precisamos, e muito, de pessoas que limpem as ruas e cortem as gramas. Esse é um trabalho digno, que poucos têm humildade para realizar. Como não são funções que trazem grande remuneração, muitos as desprezam. Mas são necessárias e, quando feitas com amor e excelência, tornam-se tão ou mais nobres do que cargos engrandecidos pela sociedade. Além disso, a função social de alguém não se resume ao seu emprego. Cada pessoa tem papéis dentro da família (pai, mãe, filho, irmão), como cidadão (ser honesto, virtuoso, exemplo de caráter), no aspecto espiritual (cristão, evangelista, intercessor) e em tantas outras esferas. O trabalho profissional é apenas uma das muitas áreas em que exercemos nossas responsabilidades.
Nosso valor não vem do quanto ganhamos. Somos extremamente caros porque fomos criados à imagem de Deus e redimidos pelo sangue de Cristo. Isso por si só já dá a cada um de nós um valor imensurável. A rentabilidade de um emprego é algo pequeno e baixo demais para definir alguém. O dinheiro só foi supervalorizado porque vivemos em uma sociedade materialista e doente. Mesmo que o trabalho não gere grande retorno financeiro, ele continua carregando importância social. E mesmo que não tivesse, cada pessoa continua tendo papéis indispensáveis em sua família, na comunidade e diante de Deus.
Alguns acreditam que, por ocuparem cargos de destaque, engenheiros renomados ou juízes de alta corte, já venceram na vida. Mas de nada adianta ser respeitado no trabalho e ser um péssimo pai, um marido negligente ou alguém sem caráter. A pessoa que usa seus dons apenas para si mesma, que despreza sua família, que não ama e não cumpre o chamado de Deus, mesmo que seja considerada bem-sucedida, é, na verdade, inferior.
As pessoas só deixarão de se sentir inferiores quando compreenderem a verdadeira importância de seus trabalhos. Ser mãe em tempo integral é criar a próxima geração, preparar moral e espiritualmente os filhos, edificar a família (a célula que fundamenta todas as sociedades da história). Da mesma forma, qualquer outra ocupação só tem valor real quando busca glorificar a Deus e servir à comunidade. Trabalhar apenas por dinheiro ou status é caminhar para a miséria espiritual.
Não é diferente para as profissões mais “glorificadas”. Um desembargador corrupto, que busca apenas status e rouba recursos, é inferior a muitos zeladores escolares, porque o que faz é egoísta, individualista e sem honra. A verdadeira inferioridade está em não exercer a função com fidelidade e dignidade, desperdiçando dons e capacidades.
Cuidar da sua casa, educar filhos, limpar ruas, cozinhar, estudar ou ensinar, tudo isso pode ser feito para a glória de Deus. O desperdício de potencial não está no cargo que se ocupa, mas na forma como se desprezam os próprios deveres. A mulher mais lembrada da Bíblia não foi uma rainha ou profetisa, mas uma jovem mãe: Maria.
Por isso, estudar nunca deveria estar ligado à frase “para ser alguém na vida”. Todos nós já somos alguém. Estudar e se preparar é um meio de servir melhor a Deus e ao próximo, não uma fonte de valor pessoal. Quando acreditamos que diplomas, cargos e conquistas são o que nos tornam valiosos, transformamos estudo e profissão em ídolos. A educação que não serve a Deus acaba servindo a outros deuses (ego, status, dinheiro, prazer). Por outro lado, quando tudo é colocado diante de Deus, os frutos se tornam eternos.
Temos vergonha das virtudes porque o mundo idolatra o vício. Muitos se envergonham de serem castos, de não beberem álcool, de viverem com simplicidade. E como a sociedade zomba da dona de casa, do humilde, do trabalhador simples, muitos acreditam que tais papéis sejam menores. Mas não são. Essa zombaria é apenas reflexo da ignorância coletiva.
O jogador Kaká, eleito melhor do mundo em 2007, foi chamado em 2009 de “a pior contratação” do Real Madrid. Ele mesmo respondeu: “Eu continuava sendo quem sempre fui: um filho de Deus.” Essa é nossa identidade maior, que não muda com status, dinheiro ou função.
Você não é forte ou grande por causa da sua ocupação. Somos vasos frágeis, mas nas mãos de um Deus grande. Se você honra o chamado que Ele te deu, mesmo em funções simples, você é mais valioso do que muitos que ocupam cargos elevados, mas vivem para si mesmos. Deus não nos chamou para sermos incríveis, mas para sermos fiéis. Ele é o incrível, e nosso papel é nos deleitarmos nisso.
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