Por que existe fome no mundo?
Primeiramente precisamos compreender uma coisa essencial: não falta comida no mundo. Deus não deixou o ser humano sem alimento. O problema não está na ausência de provisão divina, mas na má distribuição e no egoísmo humano. Basta ver quanta comida é desperdiçada todos os dias: alimentos descartados por vencimento, jogados fora em lanchonetes ou até mesmo na sua própria casa. Há produção suficiente para alimentar não apenas uma, mas várias populações mundiais. A fome existe porque os mordomos deste mundo, nós mesmos, nos tornamos pecadores, egoístas, supérfluos e ambiciosos.
Mas surge a pergunta inevitável: por que Deus permite tamanha maldade? A resposta é que, por enquanto, Deus permite o mal. No entanto, Ele nos deixou uma corda de esperança. Até mesmo Cristo e os apóstolos sofreram neste mundo marcado pelo pecado. A terra clama por justiça, porque está estragada pela ação humana. Desastres naturais, desigualdade, dor, tudo isso faz parte de um mundo deteriorado pelo pecado coletivo. E não adianta culpar apenas um grupo ou uma pessoa específica, pois a Bíblia deixa claro que o pecado é de todos, de uma humanidade que diariamente zomba de Deus, prefere seus próprios caminhos, semeia destruição e ama o pecado.
Deus permite isso porque o pecado se tornou uma condenação. O mundo em que vivemos é resultado direto da vontade humana. Muitas vezes as pessoas criticam a Deus por causa da fome ou de outros problemas sociais, mas não percebem que a existência do mal não seria uma tragédia se não tivéssemos decidido abraçá-lo. A própria Bíblia diz que é bom que existam heresias, para que os verdadeiros se revelem. Da mesma forma, a possibilidade de desobediência no Éden não era ruim em si, porque se Adão tivesse permanecido fiel, a vitória teria sido ainda mais gloriosa. A beleza da fidelidade está justamente em haver a possibilidade de queda, e ainda assim resistir. O problema não é a existência da possibilidade, mas quando a fidelidade e a honra não aparecem para combatê-la.
Por isso, o perigo não está apenas em grandes heresias sendo pregadas, mas no fato de muitos não as perceberem. O problema não é apenas a fome existir como possibilidade, mas a indiferença diante dela. A fome no mundo é culpa humana, não de Deus. Ele supre nossas necessidades essenciais, assim como faz com as flores, dando-lhes o sol. Ele já proveu o necessário: há comida suficiente, há meios de alcançar os famintos, mas o que falta é ação humana.
Deus nos planejou como cuidadores do planeta. O trabalho árduo e o difícil acesso ao alimento são consequências do pecado, mas o plano de Deus continua. Se hoje pessoas passam fome, a culpa é nossa. Deus permanece fiel, Ele se compadece do sofrimento humano, mas sua justiça e seus decretos permanecem. A fome e a dor são consequências da queda, mas são passageiras, pois um dia todo mal será julgado.
Desde o início, Deus desejou manifestar bondade através da humanidade, usando-nos como ferramentas de Seu cuidado. Se fosse para Ele sempre alinhar tudo sozinho, por que teria dado ao homem o papel de cuidar do jardim? Por que o incumbiu de dar nome aos animais? Desde o princípio a função humana é agir em parceria com Deus. Infelizmente, a casa se encontra suja pelo mau serviço dos homens, mas Deus não abandona Seu plano. Ele permanece intacto, e um dia será plenamente restaurado.
Muitos que perguntam “onde está Deus diante da fome?” são pessoas bem alimentadas, vivendo em grandes centros. Se por um instante visitassem cristãos famintos na Nigéria, ouviriam alguns deles dizer: “Ele não me abandonou, é Ele quem me dá forças, é Ele que me dá esperança, é Ele quem me ensina a amar mesmo em meio à dor.” E é nesse momento que percebemos algo profundo: nós, ricos, cercados de abundância, somos os mais miseráveis. Mesmo com tanto, reclamamos e não conseguimos ver Deus em meio às bênçãos.
Somos tão apegados às migalhas deste mundo, tão idólatras de nosso conforto e desejos, que acreditamos que quem não tem os mesmos luxos que possuímos (whiskys caros, churrascarias de luxo, ingredientes importados) só pode ser infeliz. Mas quando olhamos para muitos deles, descobrimos que são mais sorridentes, esperançosos e íntegros do que nós. Para eles, falta muito pouco. Para nós, mesmo tendo muito, falta tudo.
É então que percebemos que Deus não abandonou essas pessoas. Ele está com elas. Quem as abandonou fomos nós. Confundimos a falta do alimento mundano com ausência de Deus, mas não percebemos que a falta de amor, fé e humildade é a verdadeira ausência do Senhor em nossas vidas. A parte de Deus foi feita, e é fielmente cumprida. A parte que falhou é a nossa: amar o próximo e servir com aquilo que Ele nos deu.
Se houvesse simplicidade, partilha e caridade de nossa parte, muitos irmãos não estariam famintos. Eles estariam alimentados como nós, e replicariam esse cuidado para outros. Assim, em vez de acusarmos Deus de ausência, veríamos claramente Sua presença em cada gesto de amor e compaixão. Se não enxergamos Deus nesses lugares, não é porque Ele esteja ausente, mas porque temos negado servi-lo. E cada vez que negamos isso, é mais uma prova da realidade de Sua presença, que nos chama, mas nós insistimos em ignorar.
palavras chave: fome no mundo, pecado humano, providência divina, má distribuição, responsabilidade humana, justiça de Deus, cristãos perseguidos, sofrimento humano, compaixão cristã, amor ao próximo
.jpg)
0 Comentários