Estudando grego percebemos que temos erros de tradução na Bíblia?
Muitas pessoas, depois de estudar apenas um mês de grego, hebraico ou qualquer língua bíblica, passam a acreditar que descobriram erros na Bíblia, como se os tradutores e estudiosos que dedicaram décadas de suas vidas a isso fossem ignorantes. Essa sensação de ter encontrado um “segredo escondido”, uma chave de conhecimento que só alguns possuem, é na verdade um impulso gnóstico. A humanidade sempre teve essa tendência, esse desejo de se sentir especial, como se todos fossem tolos e apenas você tivesse acesso à verdadeira mensagem da Escritura.
Esse comportamento se repete em muitos contextos. Basta um iniciante ouvir falar dos livros apócrifos e logo ele pensa que descobriu a roda, acreditando que a Bíblia é muito maior do que sempre imaginamos e que todos estamos iludidos. Afinal, os argumentos de meia dúzia de pessoas que escrevem sem compromisso com a tradição e a racionalidade passam a ter mais peso do que o estudo, o senso e a experiência de milhões de cristãos e estudiosos ao longo dos séculos. O mesmo acontece quando alguém lê superficialmente sobre cabala, numerologia, teorias conspiratórias, misticismo judaico ou gnose. De repente, esse iniciante acredita que nenhum grande teólogo ou pai da Igreja jamais enxergou aquilo, e que apenas ele é iluminado, avançado e sábio.
Se essas pessoas tivessem um pouco mais de humildade, perceberiam que não é porque um grupo de ateus, hereges ou místicos apresenta uma ideia chamativa que devemos beber de suas fontes. É preciso ter discernimento. Há sempre uma razão pela qual determinadas correntes de pensamento foram rejeitadas pela Igreja. Há motivos sérios para que certas palavras bíblicas sejam traduzidas de um jeito e não de outro. Há também razões sólidas para que numerologias e misticismos sejam rejeitados. Antes de replicar qualquer proposta de adulteração, segredo ou “revelação escondida”, o caminho mais sábio é estudar de verdade, com profundidade e paciência.
Recentemente tenho visto alguns professores de grego, em sua maioria ateus, sendo convidados para podcasts e entrevistas, onde afirmam existir incongruências e falhas no texto bíblico. Porém, é importante lembrar que você não precisa ser um especialista em exegese para perceber que existem linguistas e estudiosos muito mais experientes, com décadas de dedicação, que chegam a conclusões completamente diferentes. Basta pesquisar com seriedade e você verá que não é saudável acreditar que dois mil anos de doutrina ortodoxa, sustentada por inúmeros teólogos, pais da Igreja e estudiosos, seriam simplesmente derrubados pela leitura isolada de um único professor brasileiro. Além disso, a própria preservação dos manuscritos ao longo dos séculos, o trabalho de crítica textual feito por centenas de especialistas de diferentes países e tradições, e a consistência que encontramos ao comparar versões da Bíblia traduzidas em dezenas de línguas ao redor do mundo, tudo isso aponta para a confiabilidade e solidez do texto bíblico. A verdade é que o discurso desses professores costuma soar inovador apenas para quem nunca pesquisou profundamente o assunto, mas na realidade trata-se de um revisionismo frágil, que ignora a imensidão do testemunho histórico, textual e teológico que temos disponível.
Por isso, irmãos, estudantes e leitores da Palavra, fiquem tranquilos com uma coisa: nós temos excelentes traduções da Bíblia em português. A questão não é de “erro”, mas de diferentes possibilidades de tradução. Os erros mesmo são raros, e você pode identificá-los facilmente comparando versões já existentes em nossa língua. O estudo do grego e do hebraico é valioso, sim, mas não porque revelará “grandes falhas”, e sim porque permitirá que você não fique limitado a uma única escolha de tradução. Ele te dá a chance de perceber as diferentes nuances e sentidos mais profundos de um texto, alguns dos quais realmente não há como transmitir plenamente em português.
O que precisamos lembrar é que nossas traduções são boas, fruto do trabalho de diversos especialistas que se debruçam sobre o texto com seriedade e compromisso. Não caia na armadilha do impulso gnóstico que faz parecer que a verdade está escondida em mistérios obscuros. O que temos já é sólido, confiável e suficiente para alimentar a fé e a vida cristã.
palavras chave: estudo bíblico, tradução bíblica, erros na bíblia, grego bíblico, hebraico bíblico, gnose, apócrifos, numerologia, misticismo, teologia cristã, fé cristã

0 Comentários